Bloco amplia cooperação para reduzir dependência do dólar, mesmo sob ameaças de sanções por parte do governo Trump

Manoela Cardozo Publicado em 02/05/2025, às 09h39
Em resposta às recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, os países membros do BRICS intensificam esforços para fortalecer o comércio utilizando moedas locais, buscando reduzir a dependência do dólar e mitigar os impactos das sanções unilaterais.
Na última semana de abril de 2025, os ministros das Relações Exteriores dos países que compõem o BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — juntamente com os seis novos membros (Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã) reuniram-se em Brasília para discutir estratégias econômicas frente às recentes políticas tarifárias dos Estados Unidos.
A reunião teve como foco principal a coordenação de uma resposta conjunta às tarifas impostas pelo governo Trump, que incluem uma taxa de 145% sobre as exportações chinesas. Os membros do BRICS expressaram preocupação com as medidas unilaterais e reafirmaram o compromisso com negociações multilaterais.
Durante o encontro, foi discutida a ampliação do uso de moedas locais nas transações comerciais entre os países do bloco. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou a importância de desenvolver plataformas de pagamento que sejam voluntárias, acessíveis e seguras, visando reduzir vulnerabilidades econômicas.
Apesar das ameaças do presidente Trump de impor tarifas adicionais caso o BRICS avance na criação de uma moeda única, os países membros decidiram manter o foco na desdolarização do comércio internacional. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, enfatizou que o objetivo é facilitar o comércio entre os membros do BRICS, explorando medidas que estimulem o uso de moedas locais.
Além das questões econômicas, os ministros também abordaram temas como financiamento climático, destacando a necessidade de que países desenvolvidos assumam a responsabilidade pelo financiamento da transição energética nos países em desenvolvimento.
A reunião em Brasília reforça o compromisso do BRICS em buscar alternativas econômicas que promovam maior autonomia e resistência frente às pressões externas, consolidando o bloco como uma força significativa no cenário internacional.
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