Atraso na decisão ocorre em meio à pior estiagem das últimas décadas

Sabrina Oliveira Publicado em 16/10/2024, às 07h59
O governo federal decidiu adiar a reunião que definiria o retorno do horário de verão, aumentando a expectativa em torno do anúncio oficial, previsto agora para esta quarta-feira (16). A medida, abandonada em 2019, voltou ao debate como uma possível solução para reduzir o consumo de energia e enfrentar a crise hídrica, uma das mais severas das últimas décadas.
O Ministério de Minas e Energia (MME) vem discutindo a volta da medida desde setembro, buscando maneiras de aliviar a pressão sobre o sistema elétrico nacional. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou estudos indicando que a retomada do horário de verão poderia reduzir em até 2,9% a demanda energética nos horários de pico, gerando uma economia estimada em R$ 400 milhões entre os meses de outubro e fevereiro.
Inicialmente, o ONS sugeriu que a medida fosse implementada apenas a partir de 2025. No entanto, a severidade da atual estiagem, considerada a mais intensa em 75 anos, levou o MME a avaliar a possibilidade de retorno ainda este ano. O ministro Alexandre Silveira afirmou que a decisão será tomada com base nas necessidades tanto da sociedade quanto do setor produtivo, mas destacou que o debate envolve diferentes interesses.
É um tema absolutamente transversal, e não se pode decidir olhando apenas para um lado. O horário de verão é uma política global de economia de energia, mas só tomaremos essa decisão quando ficar claro de que sua adoção é imprescindível para o país nesse momento”, declarou o ministro.
A resistência à volta da medida não é unânime. Representantes de empresas aéreas argumentam que seria necessário um prazo de seis meses para que o setor pudesse se adequar ao novo fuso, evitando transtornos operacionais e custos adicionais. Por outro lado, comerciantes demonstram entusiasmo com o retorno do horário de verão, afirmando que o aumento da luz natural pode impulsionar o lazer e, consequentemente, o consumo.
A decisão vem em um momento delicado para o setor energético, que depende fortemente das chuvas para manter a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). A seca prolongada tem elevado os custos de geração de energia, pressionando o governo a buscar alternativas que possam garantir o abastecimento durante os períodos de maior consumo.
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