Diário de São Paulo
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AGU pede ao STF suspensão da Lei da Dosimetria que reduz penas do 8 de Janeiro

Órgão afirma que norma enfraquece proteção à democracia e pode incentivar novos ataques contra o Estado de Direito

Ataques às sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro seguem no centro de disputas judiciais - Imagem: Cristiano Mariz
Ataques às sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro seguem no centro de disputas judiciais - Imagem: Cristiano Mariz

Redação Publicado em 19/05/2026, às 13h07 - Atualizado às 14h09


A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (19), a suspensão e a invalidação da chamada Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso Nacional para reduzir penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo o órgão, a medida compromete a defesa da ordem democrática ao suavizar punições aplicadas a crimes contra o Estado de Direito.

No parecer enviado ao ministro Alexandre de Moraes, relator das ações que questionam a norma, a AGU argumenta que a nova legislação representa um “retrocesso” e cria brechas que podem favorecenovas ações contra a ordem democrática. O entendimento do órgão é de que a lei esvazia a resposta penal do Estado diante de ataques às instituições republicanas.

De acordo com a manifestação, a Constituição impõe ao poder público o dever de proteger a democracia e assegurar punições proporcionais para crimes dessa natureza. Para a AGU, a redução das penas ocorre de maneira “drástica e injustificada”, deixando “os bens jurídicos centrais da República em situação de vulnerabilidade”.

A norma foi sancionada após o Congresso derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A legislação pode beneficiar investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, alvo de investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.

Antes de decidir sobre o caso, Moraes solicitou manifestações do Congresso Nacional, da AGU e da Procuradoria-Geral da República (PGR) nas ações apresentadas pela Federação PSOL-Rede e pela Associação Brasileira de Imprensa. As entidades sustentam que a lei afronta princípios constitucionais ao enfraquecer mecanismos de proteção institucional.

Na última segunda-feira (18), o Senado Federal e a Câmara dos Deputados defenderam a validade da norma perante o STF. As Casas afirmaram que a aprovação da lei reflete a vontade da maioria parlamentar e negaram irregularidades na análise do veto presidencial. Enquanto o Supremo não conclui o julgamento das ações, a aplicação da Lei da Dosimetria permanece suspensa.


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