Diário de São Paulo
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Câmara pede ao STF rejeição de ações contra Lei da Dosimetria ligada aos atos de 8 de janeiro

Parlamentares defendem manutenção da norma que reduz penas de condenados pelos ataques em Brasília e argumentam que legislação representa vontade do Congresso Nacional.

Câmara dos Deputados pediu ao STF a rejeição das ações contra a Lei da Dosimetria relacionada aos atos de 8 de janeiro - Imagem: Reprodução
Câmara dos Deputados pediu ao STF a rejeição das ações contra a Lei da Dosimetria relacionada aos atos de 8 de janeiro - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 19/05/2026, às 13h24


Parlamentares da Câmara dos Deputados pediram ao Supremo Tribunal Federal que rejeite as contestações contra a Lei da Dosimetria, que permite a redução de penas para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A legislação estabelece novos critérios para a individualização das penas relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes e é defendida pelo Congresso como uma expressão legítima do Poder Legislativo, sem beneficiar condenados por crimes comuns.

A lei foi suspensa temporariamente pelo ministro Alexandre de Moraes até que o STF decida sobre sua constitucionalidade, aumentando a tensão entre o Congresso e o Supremo e reacendendo debates sobre a separação de poderes e limites das decisões judiciais.

Parlamentares da Câmara dos Deputados solicitaram ao Supremo Tribunal Federal a rejeição das contestações apresentadas contra a chamada Lei da Dosimetria, legislação aprovada pelo Congresso Nacional que prevê redução de penas para envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex presidente Jair Bolsonaro.

O pedido foi apresentado à Corte após o Senado Federal também defender a validade da norma em manifestação semelhante enviada ao STF. O caso segue em análise no Supremo após a suspensão temporária da legislação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

A Lei da Dosimetria trata da aplicação e revisão de penas relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023. O texto aprovado pelo Congresso estabelece novos critérios para individualização das condenações e prevê redução de punições em determinados casos.

Na manifestação encaminhada ao STF, os parlamentares argumentam que a legislação reflete a vontade legítima do Poder Legislativo e respeita os princípios constitucionais relacionados à definição de penas. Segundo a defesa apresentada pela Câmara, a norma não beneficia condenados por crimes comuns e se limita à reavaliação das penas relacionadas aos atos antidemocráticos.

O Congresso também sustenta que não houve irregularidade durante a tramitação do veto presidencial apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O veto foi posteriormente analisado pelos parlamentares dentro do rito legislativo previsto pela Constituição.

A suspensão da lei foi determinada por Alexandre de Moraes até que o plenário do STF realize julgamento definitivo sobre a constitucionalidade da medida. O ministro é relator de diversos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro e tem conduzido investigações envolvendo acusados de participação nos ataques.

A discussão sobre a Lei da Dosimetria aumentou a tensão entre setores do Congresso Nacional e integrantes do Supremo Tribunal Federal, reacendendo debates sobre separação entre os Poderes, competência legislativa e os limites das decisões judiciais envolvendo temas penais e políticos.

Os atos de 8 de janeiro resultaram na invasão e depredação do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e da sede do STF, em Brasília. Desde então, centenas de pessoas foram investigadas, denunciadas e condenadas pela participação nos ataques às instituições democráticas.

A análise definitiva da constitucionalidade da Lei da Dosimetria ainda não possui data oficial para julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal.