Apologia à violência em “trend” nas redes sociais motivou pedido da AGU para apuração de possíveis crimes de incitação e misoginia

Lívia Gennari Publicado em 10/03/2026, às 13h04 - Atualizado às 14h01
A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar a divulgação de vídeos nas redes sociais que incentivam a violência contra mulheres. O caso ganhou repercussão após a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhar uma notícia-crime pedindo a apuração das publicações, que simulam agressões como reação à rejeição em relacionamentos.
Os conteúdos circulavam principalmente no TikTok e integravam uma “trend” em que homens aparecem encenando ataques contra manequins que representam mulheres. Nas gravações, os participantes desferem socos, chutes e até simulam golpes com faca, acompanhados da frase “treinando caso ela diga não”, sugerindo violência em situações de recusa a pedidos de namoro, beijo ou casamento.
Segundo a AGU, pelo menos quatro perfis foram identificados como responsáveis pela disseminação inicial das publicações. As contas já tiveram o material removido da plataforma, mas o órgão entende que a circulação do conteúdo pode configurar crimes previstos no Código Penal, como incitação à prática criminosa e apologia de crime ou criminoso.
O pedido de investigação foi formalizado pelo procurador nacional da União de Defesa da Democracia, Raphael Ramos. No documento enviado à Polícia Federal, ele afirma que esse tipo de postagem compromete ações públicas voltadas à proteção dos direitos das mulheres e enfraquece políticas de enfrentamento à violência de gênero.
De acordo com o procurador, mesmo sem uma vítima identificada diretamente nos vídeos, a divulgação sistemática de mensagens misóginas nas redes representa uma ameaça coletiva.
“A vítima, nesse contexto, é a coletividade feminina, atingida em sua condição de sujeito de direitos fundamentais, sobretudo quando o conteúdo divulgado assume a forma de incitação à prática de crimes ou de apologia de fatos criminosos, enquadráveis, em tese, como crimes contra a paz pública”, argumentou o procurador.
A AGU também sustenta que conteúdos dessa natureza podem estimular a prática de crimes como feminicídio, lesão corporal, ameaça, perseguição e violência psicológica contra mulheres. Por isso, o órgão defende a responsabilização dos autores e medidas mais rigorosas para conter a disseminação desse tipo de material no ambiente digital.
A iniciativa integra o Pacto Brasil para o Enfrentamento do Feminicídio, firmado em fevereiro deste ano entre os três Poderes. Entre as ações previstas está o fortalecimento do combate à violência digital contra mulheres e meninas, incluindo maior fiscalização sobre conteúdos que incentivem práticas violentas.
Leia também

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Detran-SP registra quase 500 mil multas por atraso na transferência de veículos

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares

PT pede ao STF que Bolsonaro perca prisão domiciliar após carta divulgada por Flávio

Hapvida amplia uso de energia renovável, avança em diversidade e consolida IA na assistência, mostra Relatório de Sustentabilidade

Caminhoneiros iniciam paralisação para pressionar Senado por votação da MP do Frete

Polícia investiga festa com fuzis que celebrou 19 anos do TCP no Complexo de Israel