De acordo com moradores do bairro, dependentes químicos atiraram pedras e objetos contra carros que passavam na Avenida São João. Também houve depredação de portas de estabelecimentos da região

Redação Publicado em 02/06/2022, às 00h00 - Atualizado às 09h33
Moradores do Centro de São Paulo relatam que a madrugada desta quinta-feira (2) foi marcada por quebra-quebra e confusão na Cracolândia.
Vídeos registrados por quem reside na região mostra um grupo de pessoas atirando pedras e objetos contra carros que passavam pela Avenida São João. Portas de estabelecimentos também foram depredadas.
Nas imagens, é possível ver viaturas da polícia circulando pelas vias.
De acordo com a comunidade local, a confusão começou por volta da meia-noite e foi provocada pelos usuários de drogas que se espalharam pela região desde que as operações da polícia fizeram com que o fluxo – local de consumo e venda de drogas – saísse da Praça Princesa Isabel, para onde tinha migrado.
O final de semana também foi marcado por violência na região.
Um cinegrafista que filmou a agressão de três guardas civis a uma mulher na Cracolândia no sábado (28) foi intimidado por um grupo de moradores do bairro.
Na sexta (27), a Polícia Civil de São Paulo realizou uma nova operação no ponto de concentração de usuários de droga da Cracolândia, no Centro de São Paulo. Moradores registraram a presença de um veículo blindado com atiradores de elite, além das viaturas.
Desde quando foram retirados da Praça Princesa Isabel pela polícia, os usuários de droga já ocuparam diferentes endereços: a Praça Marechal Deodoro; a Rua Helvétia, entre a Rua Barão de Campinas e a Avenida São João, e também na esquina da Avenida São João com a Rua Frederico Steidel


A deputada Érica Malunguinho (PSOL) protocolou no dia 26 uma denúncia na Corte Interamericana de Direitos Humanos em que acusa o Brasil de violar a Convenção Americana de Direitos Humanos com as operações da polícia contra usuários de drogas na região da Cracolândia.
Além disso, especialistas afirmaram que as ações consistem em dispersar os usuários de drogas pelo Centro da capital.

“Os agentes de saúde e sociais reclamam que a dispersão e remoção o tempo todo do fluxo dificulta ainda mais o atendimento dos dependentes. E a constância da ação repressiva da polícia torna impossível os atendimentos”, disse o advogado Ariel de Castro, do grupo Tortura Nunca Mais.
“A polícia passa o dia tocando os dependentes como se estivessem tocando bois”, afirmou.
“Todas as vezes que isso ocorreu anos atrás nunca teve resultados positivos, pelo contrário, o problema foi ampliado, além da disseminação de várias Cracolândias na região central de São Paulo.”
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