Mais de 160 trabalhadores chineses foram resgatados em condições análogas à escravidão em Camaçari, Bahia. BYD encerrou contrato com a terceirizada.

por Marina Milani
Publicado em 25/12/2024, às 11h51
Recentemente, mais de 160 trabalhadores chineses foram resgatados em condições alarmantes no canteiro de obras da BYD, uma das principais montadoras de veículos elétricos do mundo, localizado em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, Bahia. As autoridades locais confirmaram que esses indivíduos estavam submetidos a condições análogas à escravidão.
A filial brasileira da fabricante, BYD Auto do Brasil, anunciou a rescisão imediata do contrato com a empresa terceirizada responsável pela obra, a Jinjiang Construction Brazil Ltda., em um comunicado emitido na noite de segunda-feira (23). Este canteiro é parte do projeto para a construção da maior fábrica de veículos elétricos da BYD fora da Ásia.
A situação levou o Ministério Público do Trabalho (MPT) da Bahia a suspender as atividades em parte do canteiro. Desde novembro, o MPT e outras agências governamentais têm realizado inspeções que resultaram na identificação de 163 trabalhadores vivendo em condições extremamente precárias dentro da empresa terceirizada. Em seu comunicado, o MPT destacou um "quadro alarmante de precariedade e degradação" enfrentado por esses operários.
Os relatos sobre as condições de alojamento são preocupantes; os trabalhadores eram obrigados a dormir em camas sem colchões e não dispunham de armários para guardar seus pertences, que frequentemente se misturavam com materiais alimentícios. A situação sanitária era crítica, com apenas um banheiro disponível para cada 31 trabalhadores, o que obrigava os funcionários a acordar às 4h da manhã para conseguir se preparar para o trabalho às 5h30.
Além disso, as condições de trabalho eram igualmente severas. Os trabalhadores estavam expostos à intensa radiação solar e apresentavam sinais visíveis de danos à pele. O MPT também levantou suspeitas de trabalho forçado, uma vez que os passaportes dos operários foram confiscados pelo empregador, que retinha 60% dos salários, deixando aos trabalhadores apenas 40% do total recebido em moeda chinesa.
Em resposta a essa situação grave, uma audiência foi agendada para que a BYD e a Jinjiang apresentem as medidas necessárias para garantir condições mínimas de alojamento e discutam a regularização das questões identificadas. A BYD Auto do Brasil enfatizou que "não tolera desrespeitos à dignidade humana" e informou que os 163 trabalhadores foram transferidos para hotéis na região.
O Ministério das Relações Exteriores da China declarou nesta quarta-feira (25) que sua embaixada e consulados estão em contato com as autoridades brasileiras para acompanhar e resolver adequadamente a situação. A porta-voz da diplomacia chinesa, Mao Ning, destacou que o governo chinês valoriza a proteção dos direitos legítimos dos trabalhadores e solicita que as empresas chinesas cumpram rigorosamente as leis locais.
A fábrica de carros BYD estava com mais de 160 trabalhadores chineses em situação de trabalho escravo em Camaçari, veja um dos vídeos em que eles dormiam sem colchão em suas camas… pic.twitter.com/2lf88NZtea
— NEWS - 𝔽𝟝𝟘 🇮🇹🇧🇷 (@fabio___f50) December 24, 2024
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