Reinaldo Vettilo foi imobilizado por policiais com joelho sobre a garganta, assim como aconteceu com George Floyd

Vitória Tedeschi Publicado em 01/11/2022, às 14h27
Um fisiculturista morreu, no último sábado (29), após ser imobilizado por policiais militares em um condomínio da Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo capital. Os agentes de segurança teriam abordado o homem após ele supostamente se envolver em uma confusão com a namorada.
Familiares relataram ao Metrópoles, nesta segunda (31), que Reinaldo Armando Vettilo Júnior, de 39 anos, foi imobilizado e sufocado pelos PMs após discutir com a companheira dele.
Quatro disparos de taser — arma de choqueutilizada pela polícia — teriam sido efetuados, fazendo a vítima desmaiar.
A briga entre o casal teria começado por volta das 20h dentro do apartamento deles, de onde Júnior teria retirado a mulher à força. Quando chegaram à área comum do condomínio, outros moradores tentaram, sem sucesso, apartar a confusão. A polícia foi, então, acionada.
Vídeos gravados por uma testemunha mostram cinco PMs imobilizando Júnior. Em um deles, é possível ouvir o homem gritando enquanto um dos policiais diz para ele parar de fazer força. Júnior não parece reagir. O mesmo policial coloca o joelho no pescoço do fisiculturista.
Em um segundo vídeo, um dos agentes aparece em cima de Júnior enquanto a imobilização pelo pescoço é mantida. São dadas várias ordens para que o homem fique calmo. O fisiculturista já parece não mais responder.
Após desmaiar, Júnior foi socorrido e encaminhado para o Hospital Campo Limpo, também na zona sul de São Paulo, mas não resistiu e morreu. Segundo a família, um médico que atendeu o fisiculturista apontou sufocamento como a causa preliminar da morte da vítima.
Até o momento, os policiais militares envolvidos na ocorrência não prestaram depoimento. Os agentes também não apresentaram as câmeras corporais "para que as imagens fossem analisadas", segundo registros do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa).
Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) diz que o caso foi registrado pelo 89º Distrito Policial e encaminhado ao DHPP.
"A Divisão de Homicídios analisa as imagens de segurança que captaram a ação, solicitou exame necroscópico à vítima e perícia das armas utilizadas na ocorrência. A unidade realiza diligências para esclarecer todas as circunstâncias dos fatos. A Polícia Militar também instaurou inquérito policial militar (IPM) para apurar e esclarecer o caso", diz trecho da nota.
O caso lembrou muitos da tragédia semelhante que aconteceu com George Floyd, em Minnesota, nos Estados Unidos. Na fatíca ocasião, um homem negro foi morto por um policial da mesma maneira, com o joelho sobre o pescoço da vítima que resultou em uma morte por sufocamento.
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