Dispositivo foi achado em Ciudad del Este e será analisado após ação conjunta de forças de segurança

Lívia Gennari Publicado em 29/12/2025, às 13h07
A tornozeleira eletrônica utilizada pelo ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi localizada pela polícia do Paraguai na rodoviária de Ciudad del Este, cidade que faz fronteira com Foz do Iguaçu (PR). O dispositivo foi identificado após troca de informações com autoridades brasileiras e encaminhado para os trâmites legais previstos em acordos de cooperação internacional.
Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, o equipamento foi encontrado por agentes da 3ª Delegacia do bairro Obrero. Diante da descoberta, os policiais acionaram o Comando Tripartite — mecanismo de integração entre Brasil, Argentina e Paraguai — para apuração do caso. A tornozeleira, homologada pela Anatel e vinculada a uma empresa brasileira de tecnologia, foi entregue ao sistema de cooperação e será submetida a análise técnica. Até a última atualização, a Polícia Federal ainda não havia recebido o equipamento para perícia.
Tentativa de fuga e prisão
A localização do dispositivo ocorre dias após a prisão de Vasques no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção. Ele foi detido ao tentar embarcar em um voo internacional utilizando documentos falsificadose acabou confessando, durante a abordagem, que a identificação não lhe pertencia.

O destino final da viagem seria El Salvador, na América Central. As autoridades paraguaias informaram que a identidade do ex-diretor da PRF foi confirmada após consulta à Polícia Federal brasileira.
Os alertas que levaram à captura foram disparados na madrugada do Natal, quando a PF identificou a perda de sinal de GPS da tornozeleira. Na noite de 25 de dezembro, agentes foram ao endereço informado por Vasques e não o encontraram. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi comunicado e determinou a prisão preventiva.
Conforme a investigação, Vasques teria deixado Santa Catarina e seguido de carro até Assunção. Ele foi expulso do Paraguai por não declarar sua entrada no país e por haver mandado de prisão em aberto no Brasil.
A Polícia Nacional do Paraguai informou, em nota, que a prisão no aeroporto ocorreu após alerta emitido pelo Comando Tripartite, reforçando a atuação conjunta de forças de segurança dos três países na repressão a crimes transnacionais.

Condenação
Em 16 de dezembro, Silvinei Vasques foi condenado pelo STF a 24 anos e seis meses de prisão no julgamento do núcleo 2 da trama golpista. A sentença inclui crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
No último sábado (27), Vasques desembarcou em Brasília, após ser transferido de Foz do Iguaçu. Sob escolta, ele foi conduzido à sede da Polícia Federal, onde realizou os procedimentos de praxe, e na sequência encaminhado ao sistema penitenciário do Distrito Federal, onde permanecerá à disposição da Justiça.
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