Deputado é investigado por suposta atuação para incitar medidas contra o Brasil e obstruir processos judiciais

Gabriela Thier Publicado em 21/07/2025, às 19h38
Na última segunda-feira (21), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou a abertura de uma investigação que visa apurar a suposta utilização de informações privilegiadas em relação ao aumento de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impacta diretamente o Brasil. Esta prática, conhecida como insider trading, está sob escrutínio.
A Advocacia-Geral da União (AGU) havia solicitado a investigação na semana anterior, dentro do contexto do inquérito em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é alvo. O parlamentar é investigado por sua suposta atuação junto ao governo norte-americano para incitar medidas retaliatórias contra o Brasil, além de tentar obstruir os processos judiciais relacionados à tentativa de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Em março deste ano, Eduardo Bolsonaro se afastou de seu cargo e transferiu-se para os Estados Unidos, alegando estar sob perseguição política.
A AGU destaca que a investigação foca em movimentações incomuns no mercado cambial brasileiro antes e depois do anúncio de Trump sobre a taxação de 50% nas exportações brasileiras para os EUA, que entrará em vigor a partir de 1° de agosto. No despacho emitido na segunda-feira, Moraes determinou que o pedido da AGU fosse desmembrado do inquérito original e que seu andamento ocorresse sob sigilo.
Na quinta-feira (18), Eduardo Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal(PF) no mesmo inquérito. Como resultado dessa ação, ele teve que usar tornozeleira eletrônica e ficou proibido de sair de casa entre 19h e 6h. Essas medidas foram impostas por Alexandre de Moraes após a Procuradoria Geral da República (PGR) levantar preocupações sobre um possível risco de fuga do ex-presidente, que é réu na ação penal referente à tentativa de golpe em 2022 e aguarda julgamento pelo STF marcado para setembro.
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