O relato foi do jornalista Yuri Macri

Mateus Omena Publicado em 03/11/2022, às 18h15
O jornalista Yuri Macri, da RecordTV Rio Preto, revelou nas redes sociais que foi agredido por manifestantes bolsonaristas durante protesto contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. O episódio ocorreu em Mirassol, no interior de São Paulo.
O repórter estava no local para fazer a cobertura de um caso de violência, no qual um motorista atropelou manifestantes e deixou 17 pessoas feridas. No entanto, a presença dele não agradou aos apoiadores de Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a vítima, uma multidão o cercou para hostilizá-lo e ameaçá-lo. Em seguida, ele foi surpreendido por agressões físicas.
"Foram chutes. Joelhadas nas costas. Tapas. Empurrões. Intimidações. Falaram que eu estava dizendo mentiras", relatou.
"Só pra contextualizar, um rapaz atropelou manifestantes e estávamos lá pra noticiar este factual. Alguma pessoa começou a gritar que eu estava mentindo. De uma pessoa, viraram 10, foram várias. Vivi momentos de terror. De medo. Deus seja louvado que estou bem. Nunca vi pessoas tão agressivas na vida", relatou o jornalista.
O jornalista confessou também que, mais cedo, sua mãe sentiu que ele poderia correr certo perigo e o alertou. Yuri contou que o cinegrafista que o acompanhava também foi vítima de agressões.
"Obrigado por todas as mensagens. Só consigo lembrar da minha mãe hoje falando: 'Yuri, toma cuidado'. Amanhã um novo dia, uma nova história. Mas foi crime o que fizeram comigo hoje. O que fizeram com o China", completou.
Yuri compartilhou um vídeo de sua entrada ao vivo no programa "Hora News", que foi interrompida pelos gritos dos manifestantes. O apresentador Rafael Algarte ficou indignado com o comportamento das pessoas no protesto:"Aqui não. As pessoas precisam respeitar o que está acontecendo lá. É o trabalho de um repórter que está mostrando o que aconteceu num acidente. Nós já falamos dessa manifestação, como ela vem acontecendo, a imprensa está lá para mostrar exatamente o que acontece. E quem vai se manifestar não vai atacar profissional, não vai atacar trabalhador".
"A polícia foi chamada para tirar o Yuri de lá. Porque o que acontece nesse instante é: os manifestantes cercaram ele, ele não consegue trabalhar. É inadmissível o que acontece nesse momento. Um repórter sendo atacado porque as pessoas estão num ambiente de descontrole, atacando um profissional que foi até lá para trazer a informação. Que universo é esse? Que universo paralelo, onde as pessoas acham que podem fazer isso?".
Sim, fui hostilizado. Fui agredido quando terminamos o link. Dia triste e péssimo. Isso não é democracia. É não ter respeito. https://t.co/e0piOCAMXG
— Yuri Macri (@yurimacri) November 2, 2022
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