Esquema criminoso funcionava há mais de três anos e enganou pelo menos 50 pessoas com a venda falsa de veículos

Lívia Gennari Publicado em 29/05/2025, às 20h09
Uma operação da Polícia Civil de São Paulo prendeu, nesta quinta-feira (29), três integrantes de uma quadrilha que aplicava golpes na venda consignada de veículos de luxo. Os suspeitos foram localizados em Mairiporã, na Grande São Paulo, e no bairro de Santana, na zona norte da capital. As prisões ocorreram após o cumprimento de mandados de prisão temporária, resultado de uma investigação que já se estende há mais de três anos.
De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o grupo é acusado de aplicar um golpe sofisticado e recorrente, que fez ao menos 50 vítimas. O prejuízo total ainda está sendo calculado, mas a polícia acredita que o montante pode ultrapassar milhões de reais, considerando o alto valor dos veículos comercializados.
Entre os presos estão pai e filho, de 64 e 35 anos, que atuavam diretamente na gestão de uma loja de veículos localizada no bairro do Carandiru, na zona norte da capital. A loja, segundo a investigação, teve seu nome fantasia alterado durante o período de atuação criminosa, numa tentativa de dificultar o rastreamento dos golpes e despistar possíveis denúncias. Após essa mudança, o negócio passou a ser liderado por um terceiro integrante do grupo, um homem de 42 anos, que também foi detido durante a operação.
O esquema
Os criminosos ofereciam aos proprietários de veículos de alto padrão a possibilidade de vender os automóveis por meio do sistema de consignação. Na prática, o dono deixava o carro na loja, que se comprometia a vendê-lo e repassar o valor após a negociação. Contudo, após concretizar a venda, os criminosos não entregavam o veículo ao comprador e tampouco repassavam o dinheiro ao verdadeiro dono, gerando prejuízo para ambos.
Durante a operação, foram apreendidos quatro celulares e dois carros de luxo, sendo que um dos veículos possuía queixa ativa de estelionato. A Polícia Civil já identificou o verdadeiro proprietário. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias utilizadas pelos criminosos, que movimentavam grandes quantias provenientes dos golpes.

As investigações também apontaram que o irmão de um dos suspeitos era responsável por uma das contas bancárias usadas para escoar o dinheiro das fraudes. Ele pode ser indiciado por participação no esquema.
O caso foi registrado no 9º Distrito Policial do Carandiru e os suspeitos vão responder pelos crimes de estelionato e associação criminosa. A Polícia Civil segue ouvindo vítimas e analisando documentos para identificar se há outros envolvidos e calcular o total do prejuízo causado.
As autoridades orientam que quem desconfiar ter sido vítima do golpe, deve procurar a delegacia mais próxima para registrar boletim de ocorrência e colaborar com as investigações.
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