Diário de São Paulo
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Pornografia infantil, nazismo e automutilação: ofensiva em SP combate crimes virtuais contra crianças e adolescentes

Operação Mão de Ferro 2 ocorre em treze estados e resulta na prisão de dois suspeitos no Mato Grosso

Adolescente de 15 anos, apontado como líder do grupo, foi preso em MT - Imagem: Divulgação | Polícia Civil do Mato Grosso
Adolescente de 15 anos, apontado como líder do grupo, foi preso em MT - Imagem: Divulgação | Polícia Civil do Mato Grosso

Lívia Gennari Publicado em 27/05/2025, às 18h36


A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (27), a Operação Mão de Ferro 2, que cumpriu mandados em várias cidades de São Paulo para desarticular uma rede criminosa que atuava em ambientes virtuais cometendo crimes contra crianças e adolescentes. A ação foi coordenada pela Polícia Civil do Mato Grosso, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab).

No estado de São Paulo, as ações aconteceram nos municípios de São Paulo, Guarulhos, Porto Feliz, Itu, Santa Isabel e Altair. Os alvos foram investigados por integrar um grupo que cometia crimes como incentivo à automutilação, instigação ao suicídio, perseguição, ameaças, produção e compartilhamento de pornografia infantil, além de apologia ao nazismo e invasão de sistemas públicos.

De acordo com a investigação, os criminosos atuavam principalmente por meio de plataformas como WhatsApp, Telegram e Discord. Nesses ambientes, eles disseminavam conteúdos de violência extrema, promoviam coação psicológica, ameaçavam vítimas e, muitas vezes, expunham menores de forma pública e constrangedora. As principais vítimas eram meninas, alvo recorrente dos ataques.

Dois adolescentes, de 15 e 16 anos, foram identificados como integrantes do grupo criminoso. O mais novo é apontado como líder e já havia sido alvo de operações anteriores, por promover discursos de ódio, apologia ao nazismo e incentivar automutilação entre jovens.

Em todo o país, a operação mobilizou forças policiais em 13 estados, com o cumprimento de 22 mandados judiciais, entre eles de busca, apreensão, prisão temporária e internação socioeducativa. A ação é resultado de uma investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos da Polícia Civil do Mato Grosso, em parceria com o Ciberlab do MJSP.

“O Ministério da Justiça promoveu uma integração inédita entre as polícias civis, permitindo uma ofensiva robusta e coordenada contra criminosos que se escondem na internet para cometer atos gravíssimos, especialmente contra crianças e adolescentes”, destacou Rodney Silva, diretor da Diretoria de Operações e Inteligência da Senasp.

As penas para os crimes investigados podem ultrapassar 20 anos de reclusão, e os investigados poderão responder por:

  • Induzir ou instigar automutilação e suicídio, com penas que podem chegar a 6 anos e dobrar se a vítima for menor de idade;
  • Perseguição (stalking), com pena de até 2 anos, agravada se a vítima for criança ou adolescente;
  • Ameaça, com detenção de até 6 meses ou multa;
  • Produção, armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil, com penas que variam de 1 a 6 anos;
  • Apologia ao nazismo, crime que pode resultar em até 5 anos de prisão.

De acordo com o delegado Gustavo Godoy Alevado, da Delegacia de Crimes Informáticos do Mato Grosso, a Mão de Ferro 2 representa uma resposta firme do Estado à violência digital. “Essa operação mostra que quem acredita estar protegido pelo anonimato da internet para cometer crimes, está enganado. A polícia está preparada para agir e proteger nossas crianças e adolescentes”, afirmou.

O nome da operação simboliza a rigidez no combate aos crimes cibernéticos, especialmente os que têm como alvo a infância e a juventude, além de reforçar o papel do sistema de segurança pública no enfrentamento à violência digital.


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