Investigação revelou que quadrilha recrutava jovens pela internet para realizar atentados e disseminar discursos de ódio

William Oliveira Publicado em 05/05/2025, às 11h38
No último domingo (4), a Polícia Civil do Rio de Janeiro anunciou que conseguiu impedir um ataque com explosivos improvisados durante o show da cantora americana Lady Gaga, que reuniu 2,1 milhões de pessoas na praia de Copacabana, na noite anterior (3). Um homem apontado como líder do plano foi preso no Rio Grande do Sul.
A operação contou com a participação de várias delegacias, inclusive de outros estados, e teve apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. As investigações miravam uma quadrilha que recrutava pessoas pela internet para cometer crimes transmitidos ao vivo.
Segundo a polícia, o grupo divulgava discursos de ódio e planejava ataques voltados especialmente contra crianças, adolescentes e a comunidade LGBTQIA+. O homem preso portava uma arma de fogo ilegal, mas sua identidade não foi revelada. No Rio, um adolescente também foi apreendido por armazenar material pornográfico infantil.
A investigação apontou que os criminosos recrutavam até jovens para realizar atentados com explosivos caseiros e coquetéis molotov. O alerta foi emitido pela Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil.
Os suspeitos encaravam os ataques como um desafio coletivo, buscando notoriedade nas redes sociais. Eles usavam plataformas digitais para radicalizar adolescentes e disseminar conteúdos ligados a crimes de ódio, automutilação, pedofilia e violência.
Durante a operação, policiais também foram até Macaé, no norte fluminense, para cumprir um mandado de busca contra um homem que ameaçava atacar uma criança ao vivo. Ele está sendo investigado por terrorismo e indução ao crime.
Participaram da ação equipes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), da 19ª DP e do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça. A Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) também atuou na operação.
Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em cidades do Rio, São Paulo e Mato Grosso. Os agentes apreenderam dispositivos eletrônicos e materiais que serão analisados para aprofundar a investigação.
A Polícia Civil reforçou que toda a ação foi conduzida com cautela para evitar pânico entre o público do show e distorções nas informações.
Paralelamente, a polícia prendeu 16 pessoas ligadas a uma das maiores quadrilhas de roubo e furto de celulares do estado. O grupo foi flagrado enquanto se preparava para receber aparelhos roubados durante o evento em Copacabana.
Entre os detidos, quatro eram líderes da organização, que não apenas realizava os roubos, mas também coordenava a revenda dos aparelhos no mercado clandestino. Alguns ainda ofereciam cursos online para desbloqueio de celulares roubados.
A investigação revelou que a quadrilha operava de um escritório equipado com tecnologia para desbloquear celulares e tinha forte atuação em grandes eventos.
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