Vídeos das câmeras corporais revelam que policial afirmou que mataria eletricista autista antes da abordagem. Após os disparos, o agente rezou, pediu para a vítima não morrer e declarou que tentaria salvá-la.

Redação Publicado em 17/06/2026, às 10h36
A morte do eletricista Igor Hyppolito, de 29 anos, após ser baleado por policiais em São Paulo, gerou indignação após a divulgação de vídeos que mostram um dos agentes afirmando que iria matar o homem antes de descer da viatura, levantando questões sobre o uso excessivo da força pela polícia.
Igor, que era autista e tinha outras condições de saúde, foi atingido durante uma abordagem policial após uma briga de trânsito, e os vídeos contradizem a versão dos policiais, que alegaram que os disparos ocorreram em resposta a uma reação da vítima.
Os policiais envolvidos foram afastados de suas funções por ordem judicial, enquanto o caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e pela Corregedoria da PM, com familiares de Igor clamando por uma abordagem menos letal na situação.
A morte do eletricista Igor Hyppolito, de 29 anos, ganhou novos contornos após a divulgação de imagens registradas pelas câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo. Os vídeos mostram que um dos agentes envolvidos na ocorrência afirmou que iria matar o homem antes mesmo de descer da viatura e, minutos depois dos disparos, passou a demonstrar aparente arrependimento enquanto a vítima agonizava no asfalto.
O caso aconteceu em 29 de abril, na zona norte da capital paulista, após uma briga de trânsito envolvendo Igor e um motoboy. Segundo familiares, o eletricista era autista, possuía diagnóstico de TDAH e epilepsia, e trabalhava há anos realizando serviços elétricos e pequenos reparos.
As imagens registradas pela bodycam do cabo Cauan Alencar Bastos mostram que, ao se aproximar do local da ocorrência, o policial afirmou dentro da viatura: “Peraí que eu vou matar ele, eu vou dar tiro”. Em seguida, ele desembarca já efetuando disparos contra Igor. O soldado que o acompanhava também atira ainda de dentro do veículo.
A versão apresentada pelos policiais na delegacia apontava que os disparos teriam ocorrido após uma suposta reação da vítima. No entanto, os vídeos passaram a ser analisados pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM por apresentarem elementos que divergem dos relatos prestados inicialmente.
Após ser atingido, Igor caiu gravemente ferido e permaneceu consciente por alguns instantes. Nas gravações, é possível ouvi-lo dizer repetidamente que não conseguia respirar. Uma enfermeira que passava pelo local tentou prestar os primeiros socorros enquanto aguardava a chegada do resgate.
Durante esse período, o cabo Cauan passou a demonstrar comportamento diferente daquele registrado antes da abordagem. Em determinado momento, aproxima-se da vítima e afirma: “Pelo amor de Deus, não morre”. Pouco depois, grava um áudio para a companheira relatando a situação.
“Acabei de disparar em um maluco aqui e ele está morrendo. Essa é a verdade. Ele está agonizando aqui e vou tentar salvar a vida dele”, disse o policial.
Em uma das cenas mais marcantes registradas pelas câmeras corporais, o cabo se afasta por alguns instantes, guarda o celular na viatura e começa a rezar em voz alta um Pai-Nosso enquanto aguarda o atendimento médico.
As imagens também mostram momentos de tensão após os disparos. Um borracheiro que quase foi atingido por uma bala perdida questionou a ação dos policiais e acabou sendo abordado de forma agressiva. O trabalhador foi colocado no chão por outros agentes antes de ser liberado.
Familiares de Igor afirmam que ele passava por dificuldades pessoais nas semanas que antecederam a ocorrência e lamentam o fato de os policiais não terem utilizado equipamentos de menor potencial ofensivo, como armas de choque, para conter a situação.
“Ele era uma pessoa trabalhadora, participativa, querida pela família. O desfecho poderia ter sido diferente”, afirmou uma parente.
A Secretaria da Segurança Pública informou que os policiais foram afastados das atividades operacionais por determinação judicial. O caso segue sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Corregedoria da Polícia Militar.
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