O Frigorífico Goiás está sob suspeita de vender carne imprópria para consumo

Nathalia Jesus Publicado em 07/10/2022, às 10h32
O frigorífico responsável por uma confusão após anunciar a 'picanha mito' por R$ 22 no último domingo (02), dia das eleições presidenciais, foi autuado nesta quarta-feira (05) pelo Programa de Defesa do Consumidor (Procon).
Segundo o órgão fiscalizador, o Frigorífico Goiás deverá prestar esclarecimentos por vender alimentos impróprios para consumo que foram encontrados no local e sobre o preço do produto oferecido no domingo. O frigrífico tem um prazo de 10 dias para se apresentar.
De acordo com o Procon, o valor real da carne designada 'picanha mito' era de R$ 129,99. Durante o tumulto para adquirir a peça, uma mulher passou mal e acabou falececndo.
Durante uma fiscalização do Procon no local, foram apreendidos mais de 44 quilos de carne refrigerada sem informações sobre a data de vencimento e de embalagem, além de outros 5,5 quilos de carne e suco de laranja já vencidos.
Se confirmadas as irregularidades, a empresa pode ser condenada a pagar uma multa que varia de R$ 754 a R$ 11,3 milhões.
Yeda Batista da Silva, de 46 anos, teve a perna prensada em uma das portas do Frigorífico Goiás no domingo.
A empresária estava no meio da multidão quando começou a se sentir mal e decidiu esperar pelo marido no carro.
Em entrevista ao G1, o marido de Yeda disse que havia notado um inchaço na perna da esposa e que ela reclamava muito de dor, porém, só a levou no médico depois de ir votar.
Yeda tinha o diagnóstico de uma doença autoimune que afetava a circulação do sangue e os rins, problema que causou uma hemorragia e ocasionou na morte da empresária.
"Não imaginávamos que o machucado ia causar a morte dela. É uma perda grande, sem tamanho. A gente vivia em função dela, que organizava tudo para a família", disse o marido.
Ainda no domingo (02) o juiz eleitoral Wilton Muller Salomão determinou que a propaganda e a venda da 'picanha mito' fosse suspensa pelo Frigorífico Goiás.
Na peça publicitária, a imagem da carne era associada com a do candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL).
"A venda de carne nobre em preço manifestamente inferior ao praticado no mercado, no valor de R$ 22, revela indícios suficientes para caracterizar, em sede de um juízo não exauriente, conduta possivelmente abusiva do poder econômico em detrimento da legitimidade e isonomia do processo eleitoral", disse o juiz.
"Pode ser um elemento para incentivar o voto. Claro que deve ser analisado, mas pode ser configurado crime de corrupção eleitoral", comentou um especialista em justiça eleitoral ao G1.
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