Ex-governador do Rio foi alvo de buscas nesta sexta-feira (15); investigação apura ocultação de patrimônio, evasão de recursos e ligação entre agentes públicos e grupo empresarial

Letícia Sales Publicado em 15/05/2026, às 08h12
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema de fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, apontada como uma das maiores devedoras de impostos do país. Entre os alvos da ação está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, além do empresário Ricardo Magro, dono do grupo empresarial investigado.
Segundo a PF, a apuração busca esclarecer suspeitas de que a estrutura financeira e societária da Refit teria sido utilizada para “ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”. A corporação também pediu a inclusão do nome de Ricardo Magro na Difusão Vermelha da Interpol, lista internacional de procurados.
Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Cláudio Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. O ex-governador acompanhou a ação ao lado de advogados. Após cerca de duas horas, os policiais deixaram o imóvel carregando malotes com materiais apreendidos.
A decisão que autorizou as buscas partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, dentro das investigações ligadas à chamada ADPF das Favelas, que apura possíveis conexões entre organizações criminosas e agentes públicos no estado.
Ao g1, o advogado Carlo Luchione, que representa Castro, afirmou que ainda não tinha conhecimento sobre a motivação detalhada da operação.
Além do ex-governador e do empresário, também foram alvos de mandados o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad. Ao todo, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão.
Cláudio Castro deixou o governo do Rio em março deste ano, um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral retomar o julgamento que terminou com sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Desde então, o estado vive um cenário de instabilidade institucional, enquanto o STF ainda decide se a escolha do próximo governador será feita por eleição direta ou indireta.
A Refit já havia sido alvo de outra grande ofensiva policial em novembro do ano passado, durante a Operação Poço de Lobato, que mobilizou autoridades federais e estaduais em cinco estados para investigar supostas fraudes tributárias.
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