Operação Cliente Fantasma apura falhas no controle de identificação e comunicação de operações suspeitas ao Coaf

Letícia Sales Publicado em 25/02/2026, às 11h07
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25/2) a Operação Cliente Fantasma para investigar o banco BMP Money Plus por suspeita de facilitar a lavagem de aproximadamente R$ 25 bilhões. Segundo os investigadores, a instituição teria permitido a movimentação de recursos por meio de “clientes invisíveis”, incluindo organizações criminosas que atuam no país.
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, na capital paulista e em Barueri. Os alvos incluem a sede do banco, o presidente da instituição, Carlos Eduardo Benitez, e o responsável pelo setor de compliance, Paulo Henrique Witter Soares.
De acordo com a PF, embora o banco esteja autorizado a funcionar pelo Banco Central do Brasil, a investigação aponta que a fintech permitia a movimentação de valores sem a devida identificação formal dos titulares das contas. Isso teria dificultado a fiscalização e o rastreamento de operações suspeitas.
Os investigadores também afirmam que a instituição deixou de comunicar movimentações atípicas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por monitorar transações financeiras suspeitas. Segundo a PF, essa omissão teria contribuído para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Os responsáveis poderão responder por gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao órgão regulador e lavagem de capitais.
O BMP já havia sido citado em outro episódio de grande repercussão: foi uma das seis instituições afetadas pelo maior ataque hacker da história do Brasil, em junho de 2025, quando ao menos R$ 541 milhões foram movimentados. Parte do valor, segundo a própria instituição, foi recuperada após bloqueios judiciais e rastreamento de transferências via Pix.
O nome da operação faz referência ao modelo que, segundo a PF, permitia que usuários operassem no sistema financeiro sem identificação adequada, funcionando como “fantasmas” perante os órgãos de controle e, na prática, blindados contra bloqueios judiciais e quebras de sigilo.
As investigações continuam para apurar a extensão das irregularidades e identificar eventuais conexões com grupos criminosos.
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