Diário de São Paulo
Siga-nos

Vaga PJ em editora ligada ao MST coloca discurso contra pejotização em xeque

Processo seletivo para designer multimídia em regime de pessoa jurídica contrasta com posicionamentos públicos do movimento em defesa da contratação pela CLT.

Anúncio de vaga da Editora Expressão Popular para contratação em regime PJ gerou debate sobre a pejotização - Imagem: Reprodução
Anúncio de vaga da Editora Expressão Popular para contratação em regime PJ gerou debate sobre a pejotização - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 13/06/2026, às 13h59


A Editora Expressão Popular, vinculada ao MST, gerou polêmica ao abrir uma vaga para designer multimídia com contratação no regime de pessoa jurídica, o que contrasta com a posição histórica do movimento contra a pejotização. Essa situação levanta questões sobre a coerência entre as práticas da editora e as bandeiras de defesa dos direitos trabalhistas do MST.

Entidades sindicais alertam que a pejotização pode reduzir direitos trabalhistas, como férias e FGTS, enquanto defensores do modelo argumentam que ele oferece flexibilidade em setores criativos. O debate sobre esse tipo de contratação está em alta no Brasil, especialmente em meio ao crescimento do trabalho remoto e da economia digital.

Até o momento, não houve esclarecimentos oficiais da Editora Expressão Popular ou do MST sobre a escolha do regime de contratação. O episódio se insere em um contexto de discussões legislativas e judiciais sobre as relações de trabalho no país.

A abertura de uma vaga de trabalho pela Editora Expressão Popular, organização ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), provocou debate nas redes sociais e no meio político após o anúncio prever a contratação de um profissional no regime de pessoa jurídica (PJ).

O processo seletivo busca um designer multimídia para atuar na produção de conteúdos gráficos e audiovisuais destinados aos canais da editora. De acordo com o anúncio, a função será exercida de forma remota, com disponibilidade de até 30 horas semanais, e as inscrições permanecem abertas até o próximo dia 21 de junho.

A modalidade de contratação chamou atenção por aparentemente divergir do posicionamento histórico do MST sobre as relações de trabalho. Em diferentes manifestações públicas, documentos e campanhas, o movimento já criticou a chamada pejotização, prática em que trabalhadores são contratados por meio de empresas individuais em vez de vínculos tradicionais regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Para entidades sindicais e setores ligados aos direitos trabalhistas, a pejotização pode representar redução de garantias como férias remuneradas, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e outros benefícios previstos na legislação trabalhista. Por outro lado, defensores desse modelo argumentam que a contratação via pessoa jurídica pode oferecer maior flexibilidade para empresas e profissionais, especialmente em atividades criativas e na economia digital.

A divulgação da vaga repercutiu justamente pelo contraste entre a prática adotada pela editora e o discurso defendido pelo movimento ao longo dos anos. Críticos apontaram uma possível incoerência entre a contratação anunciada e as bandeiras históricas do MST relacionadas à proteção dos direitos trabalhistas.

Até o momento, não há informação sobre eventual alteração no modelo de contratação nem manifestação oficial da Editora Expressão Popular ou do MST esclarecendo os motivos da escolha pelo regime de pessoa jurídica para a função anunciada.

O episódio ocorre em um contexto nacional de intensos debates sobre a pejotização das relações de trabalho. O tema vem sendo discutido tanto no Congresso Nacional quanto nos tribunais superiores, especialmente diante do crescimento de modelos flexíveis de contratação impulsionados pela economia digital e pelo trabalho remoto.

Especialistas em direito do trabalho destacam que a contratação como pessoa jurídica é legal, desde que respeitados os critérios estabelecidos pela legislação e que não haja tentativa de mascarar uma relação típica de emprego prevista na CLT.


últimas notícias