Servidor público contratou quatro apólices em sequência, simulou um assalto brutal e tentou receber indenizações milionárias, mas perícias desmontaram a versão apresentada às autoridades.

Redação Publicado em 12/06/2026, às 11h55
Um servidor público da Bahia foi preso por amputar o próprio pé para fraudar seguradoras, contratando quatro apólices que totalizavam R$ 1,5 milhão em indenizações por invalidez. A ação levantou preocupações entre investigadores e seguradoras, resultando em uma investigação detalhada.
As seguradoras desconfiaram da rapidez com que os pedidos de indenização foram feitos após a suposta amputação, e exames periciais indicaram que o procedimento não condizia com um ataque violento, sugerindo planejamento prévio para a fraude.
A Justiça condenou o servidor com base em evidências que demonstravam a intenção de obter vantagens financeiras indevidas, e, após a rejeição do recurso de defesa, ele começou a cumprir uma pena de dois anos de prisão em maio deste ano.
Um caso que impressionou investigadores, seguradoras e a Justiça terminou com a prisão de um servidor público da Bahia acusado de amputar o próprio pé para aplicar um golpe milionário em companhias de seguro.
Segundo os autos do processo, Vanderley dos Santos contratou quatro seguros de vida e acidentes pessoais entre junho e julho de 2019. Somadas, as apólices previam o pagamento de até R$ 1,5 milhão em caso de invalidez permanente causada por acidente.
Pouco tempo depois das contratações, ele registrou uma ocorrência afirmando ter sido vítima de um assalto violento em uma estrada rural no interior da Bahia. De acordo com sua versão, criminosos teriam roubado seus pertences e amputado seu pé direito utilizando um instrumento semelhante a um facão.
O relato, porém, começou a despertar suspeitas logo nos primeiros dias da investigação. Além da contratação simultânea de diversas apólices com valores elevados, chamou a atenção das seguradoras a rapidez com que foram apresentados os pedidos de indenização.
As inconsistências levaram à abertura de uma investigação mais aprofundada. Exames periciais e análises médicas concluíram que a amputação não possuía características compatíveis com um ataque violento durante um assalto.
Os laudos indicaram que o procedimento apresentava sinais de execução planejada e com conhecimento técnico. Especialistas apontaram que a remoção do membro teria sido realizada com métodos incompatíveis com a dinâmica narrada pelo servidor.
Outro fator que levantou dúvidas foi a ausência de qualquer motivação aparente para o suposto crime. Segundo os investigadores, não houve pedido de resgate, extorsão ou qualquer vantagem obtida pelos alegados assaltantes, tornando a história ainda menos plausível.
Com base nas provas reunidas, a Justiça concluiu que o servidor teria planejado a fraude ao contratar os seguros e, posteriormente, simular o crime para receber as indenizações milionárias.
A sentença destacou a sequência das contratações, os altos valores segurados e a proximidade temporal entre as apólices e a amputação como elementos que demonstrariam a intenção de obter vantagem financeira indevida.
A defesa recorreu da condenação, mas o Tribunal de Justiça da Bahia manteve a decisão. Os desembargadores consideraram que o conjunto de provas, incluindo laudos periciais, relatórios médicos, documentos das seguradoras e depoimentos, comprovava a tentativa de fraude.
Com a rejeição do recurso, o condenado passou a cumprir pena de dois anos de prisão em maio deste ano.
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