Ministério Público investiga manipulação de créditos de ICMS por servidores; ação é desdobramento de fraude que pode ultrapassar R$ 1 bilhão

Redação Publicado em 26/03/2026, às 10h29
Uma operação do Ministério Público de São Paulo revelou um esquema de corrupção na Secretaria da Fazenda, resultando na apreensão de mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro e bens de luxo, incluindo relógios avaliados em R$ 1 milhão.
Investigadores apontam que 16 servidores, incluindo fiscais e delegados tributários, estariam envolvidos na manipulação de créditos de ICMS, o que levanta preocupações sobre a integridade do sistema tributário estadual.
A operação, que é um desdobramento da Operação Ícaro, contou com apoio de diversas instituições e ainda não tem um cálculo exato dos prejuízos, mas estimativas indicam que podem ultrapassar R$ 1 bilhão.
Uma operação do Ministério Público de São Paulo escancarou um suposto esquema de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, com apreensão de mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro e bens de luxo nesta quinta-feira (26).
Batizada de “Fisco Paralelo”, a ação mira servidores suspeitos de manipular créditos acumulados de ICMS para beneficiar empresas em troca de vantagens indevidas. Entre os itens apreendidos estão cerca de R$ 500 mil em espécie e ao menos 12 relógios de alto padrão, avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão.
Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em cidades estratégicas do estado, incluindo São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Os alvos incluem endereços em áreas nobres, como um condomínio de luxo em Tamboré e imóveis no bairro de Moema, na capital paulista.
Segundo o MP, pelo menos 16 investigados têm ligação direta com a estrutura da Sefaz-SP, ocupando cargos estratégicos como agentes fiscais, inspetores e delegados tributários. A suspeita é de que o grupo tenha atuado de forma organizada para fraudar o sistema tributário estadual.
As investigações apontam ainda para crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O esquema envolveria a liberação irregular de créditos de ICMS — mecanismo que permite às empresas compensarem impostos — em troca de pagamentos ilícitos.
A operação é um desdobramento da Operação Ícaro, deflagrada em 2025, que já havia identificado desvios bilionários envolvendo empresas como Ultrafarma e Fast Shop.
Um dos pontos-chave da nova fase surgiu a partir da análise do celular da contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, considerada peça central na engrenagem do esquema. Segundo os promotores, ela atuava como elo entre empresas e uma rede de fiscais corruptos.
Outro nome citado nas investigações é o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como liderança técnica da organização criminosa.
De acordo com o MP, há indícios de que diferentes setores da Secretaria da Fazenda tenham sido “capturados” pelo esquema, o que amplia a gravidade do caso e levanta suspeitas sobre falhas estruturais nos mecanismos de controle interno.
A operação contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do CyberGaeco, do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) e da Polícia Militar.
Até o momento, não há um cálculo fechado do prejuízo causado aos cofres públicos, mas investigadores afirmam que os valores podem superar os R$ 1 bilhão já estimados em fases anteriores.
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo não se manifestou oficialmente até a última atualização.
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