MPSP acusa Michele Paiva de financiar o plano que levou à morte de Neil Corrêa, envenenado por uma das irmãs envolvidas em outros homicídios

Lívia Gennari Publicado em 01/12/2025, às 17h08
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra Michele Paiva da Silva, de 42 anos, apontada como responsável por contratar as irmãs Ana Paula Veloso e Roberta Cristina Veloso Fernandes, conhecidas como as “gêmeas do crime”, para assassinar o próprio pai, o aposentado Neil Corrêa da Silva, de 65 anos.
Segundo a investigação, Michele financiou a ida de Ana Paula de Guarulhos ao Rio de Janeiro para executar o plano. Em troca, perdoaria uma dívida que as irmãs tinham com ela. O MPSP denunciou a filha por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e por dificultar a defesa da vítima, além do agravante por Neil ser idoso.
A pena pode chegar a 40 anos de prisão. Neil morreu em abril deste ano, em Duque de Caxias (RJ), após comer uma feijoada preparada por Ana Paula. A polícia suspeita que ela tenha misturado chumbinho ao prato.

Como as gêmeas agiam
A dupla é investigada por uma série de envenenamentos em São Paulo, Guarulhos e no Rio. Além de Neil, a polícia atribui às irmãs as mortes de Marcelo Hari Fonseca, em janeiro; Maria Aparecida Rodrigues, em abril; e do tunisiano Hayder Mhazres, de 21 anos, em maio.
As prisões ocorreram em 7 de outubro, na Baixada Fluminense. Michele foi detida ao chegar para a aula, na zona norte do Rio. Ana Paula e, pouco depois, Roberta também foram capturadas.
Trocas de mensagens revelam como as irmãs discutiam o planejamento dos crimes, valores e divisão de tarefas. Para se referirem às execuções, usavam o termo “TCC”, sigla de Trabalho de Conclusão de Curso.
Roberta, segundo a investigação, atuava no suporte financeiro e logístico, orientando a cobrança pelos “serviços” e fixando um valor mínimo de R$ 4 mil por homicídio, além de recomendar pagamentos sempre em dinheiro vivo para despistar rastros financeiros e evitar suspeitas.
Diante do conjunto de provas e da sequência de mortes atribuídas às irmãs, o MPSP classificou Ana Paula como “uma verdadeira serial killer”. A prisão dela já foi convertida em preventiva. Já a outra gêmea, Roberta, também foi indiciada e permanece presa enquanto a investigação sobre as mortes segue em andamento.
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