Justiça bloqueia bens do casal e determina apoio imediato às vítimas após denúncias de exploração

Gabriela Nogueira Publicado em 12/12/2025, às 15h25
O Ministério Público do Trabalho apresentou uma denúncia que coloca o influenciador Hytalo Santos e seu marido, Israel Vicente, conhecido como Euro, no centro de graves acusações envolvendo adolescentes. Segundo o órgão, o casal é suspeito de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e de manter jovens em condições análogas à escravidão.
As investigações apontam que menores eram levados para viver na residência do influenciador e submetidos a rotinas rígidas, sem remuneração e sob forte controle emocional e físico. Entre os relatos reunidos pelo MPT estão a restrição de contato externo, o confisco de celulares, a ausência de convivência social, o monitoramento da rotina e jornadas longas de gravação para redes sociais. O órgão também registrou casos de coação psicológica, interferência na identidade de gênero e orientação sexual dos adolescentes, além da supressão da autonomia financeira.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a exposição das adolescentes a conteúdos sexualizados produzidos para as plataformas do influenciador. Há relatos de participação em festas incompatíveis com a idade das jovens, produção de imagens monetizadas e até procedimentos estéticos voltados a reforçar apelos de natureza sexual.
A denúncia integra um conjunto mais amplo de procedimentos que envolvem Hytalo Santos em diferentes frentes legais. O MPT reforça que o suposto consentimento dos adolescentes ou de seus responsáveis não altera a gravidade das acusações, uma vez que menores não conseguem dimensionar plenamente situações de violência, enquanto muitos pais teriam sido influenciados por benefícios financeiros e materiais oferecidos pelo influenciador.
Atendendo às solicitações do Ministério Público do Trabalho, a Justiça determinou o envio de ofícios a órgãos de proteção infantil para garantir assistência imediata às vítimas, incluindo suporte psicológico, social e médico. Em agosto, a Justiça da Paraíba já havia autorizado o bloqueio de bens do casal, medida que pode atingir até 20 milhões de reais em veículos, empresas e patrimônios registrados em nome de Hytalo e Israel.
O MPT também pediu à Justiça uma indenização de 12 milhões de reais por dano moral coletivo, além de valores individuais que variam entre 2 e 5 milhões de reais para cada adolescente identificado. No caso dos menores de idade, o órgão recomendou que o dinheiro seja depositado em contas específicas, acessíveis apenas quando completarem 18 anos.
O Ministério Público aponta ainda que os pais das vítimas têm responsabilidade no caso ao permitirem que os filhos fossem afastados do convívio familiar e colocados sob condições ilegais, motivados por vantagens materiais e promessas de oportunidades.
Entre as recomendações apresentadas pelo MPT estão restrições à participação de menores em conteúdos digitais com teor sexual e regras mais rígidas para evitar qualquer forma de exploração laboral infantil. O descumprimento das medidas pode gerar novas punições.
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