Hytalo e o marido seguem presos enquanto Ministério Público apura suspeitas de tráfico e condições análogas à escravidão

Gabriela Nogueira Publicado em 01/12/2025, às 15h47
O influenciador Hytalo Santos, preso desde agosto na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa, prestou seu primeiro depoimento público sobre as acusações de exploração e exposição de menores. As declarações foram exibidas neste domingo no Fantástico, logo após as autoridades tornarem os vídeos das audiências acessíveis ao processo.
Durante o depoimento, Hytalo afirmou que nunca produziu conteúdos de caráter sexual com adolescentes. Segundo ele, os vídeos divulgados em suas redes sociais retratavam apenas o cotidiano da periferia, ambiente no qual cresceu e que, de acordo com sua versão, inspirava as coreografias e performances exibidas. Ele disse acreditar que a forma como o material é percebido fora desse contexto cultural pode ter influenciado as interpretações das autoridades e do público.
“A gente só gravava a nossa rotina com a cultura de periferia. As coreografias, os passos, às vezes são vistos como outra coisa, mas para nós isso é arte”, declarou.
O influenciador chegou a se emocionar ao afirmar que se sente injustiçado e lamentou estar sendo tratado como um abusador. Em outro momento, revelou que remunerava os pais dos adolescentes que participavam das gravações, afirmando que não se tratava de um acordo formal, mas de um gesto que acreditava ser justo diante da exposição das famílias.
Além das acusações de exploração e exposição de menores, Hytalo e seu marido, Israel Nata, respondem a investigações conduzidas pelo Ministério Público do Trabalho. As apurações apontam suspeitas de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e de submeter crianças e adolescentes a situações análogas à escravidão. Ambos permanecem detidos enquanto a Justiça analisa as denúncias e aguarda o avanço das investigações.
O caso ganhou repercussão nacional pela gravidade das acusações e pelo alcance das redes sociais do influenciador. Nos vídeos exibidos durante o programa de TV, Hytalo reforçou que nunca teve a intenção de produzir material pornográfico e atribuiu as críticas ao distanciamento entre a cultura periférica e o olhar do público externo. O processo segue em tramitação, e novas diligências devem ser realizadas para definir as responsabilidades criminais envolvidas.
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