Diário de São Paulo
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Latrocínio nos Jardins acende alerta sobre quadrilha especializada em assaltos a residências

Grupo criminoso monitorava rotina das vítimas e usava controles clonados para invadir residências em bairros nobres da capital paulista

Francisco Paulo de Sebe Filippo, engenheiro assassinado em assalto na Zona Oeste da capital - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Francisco Paulo de Sebe Filippo, engenheiro assassinado em assalto na Zona Oeste da capital - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Lívia Gennari Publicado em 09/06/2025, às 17h31


A Polícia Civil prendeu na noite da última sexta-feira (6), Willian Alex Bueno, suspeito de assassinar o engenheiro Francisco Paulo de Sebe Filippo, de 57 anos, durante um assalto à residência da vítima, no bairro dos Jardins, área nobre da capital paulista. O crime ocorreu na última quarta-feira (4) e está sendo investigado como latrocínio - roubo seguido de morte.

Willian foi localizado na Zona Leste de São Paulo por equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), após permanecer foragido por dois dias. De acordo com a polícia, ele é apontado como o autor do disparo que matou o engenheiro.

Câmeras auxiliam no reconhecimento dos criminosos

A identificação do suspeito só foi possível graças a imagens de câmeras de segurança da região, incluindo registros do sistema municipal Smart Sampa, que flagraram quatro homens caminhando por ruas próximas à casa da vítima logo após o crime. Em uma das gravações, Willian é reconhecido pelos investigadores como o homem que usava um boné verde. Em outra imagem, o grupo aparece entrando em um carro, momentos antes de uma viatura da Polícia Militar passar pela rua.

Além das imagens, impressões digitais colhidas no local e o celular de um dos criminosos, encontrado dentro da residência, auxiliaram na elucidação do caso.

Dos quatro suspeitos envolvidos na invasão, dois já foram identificados. Um deles, Wesllen Medeiros da Silva, morreu após confronto com policiais militares, também na sexta-feira. No imóvel onde ele foi localizado, foram apreendidas duas armas de fogo e roupas supostamente utilizadas no dia do crime.

Outros dois homens que estavam na casa no momento da abordagem policial foram detidos. Um deles foi preso por porte ilegal de arma. A polícia, no entanto, descartou o envolvimento direto de ambos no latrocínio, mas investiga se eles integram a mesma quadrilha responsável por uma série de roubos a residências em São Paulo.

Ação da quadrilha

De acordo com as investigações, os assaltantes acessaram a residência utilizando um controle remoto clonado do portão da garagem. Dentro da casa, desativaram as câmeras de segurança internas para evitar o registro da ação. A polícia suspeita que o engenheiro não tenha reagido ao assalto, mas acredita que uma possível tentativa de fuga possa ter levado ao disparo que o matou.

As investigações apontam que o grupo faz parte de uma quadrilha organizada, especializada em invasões a residências em bairros de alto padrão da capital. Os suspeitos teriam o hábito de monitorar previamente a rotina das vítimas, escolhendo o melhor momento para agir sem levantar suspeitas. Durante os ataques, os moradores costumam ser feitos reféns, enquanto os criminosos realizam saques bancários e roubos de pertences.

Grupo é investigado por outros assaltos

Há indícios de que o mesmo grupo tenha participado de um crime semelhante no final de maio, no bairro de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. Na ocasião, uma família foi mantida refém por 12 horas e teve suas contas bancárias esvaziadas. Um veículo modelo HB20, usado na fuga, foi identificado tanto nesse caso quanto no latrocínio que vitimou o engenheiro nos Jardins.

A polícia continua as buscas pelos dois últimos integrantes do grupo e destaca que todos os suspeitos já identificados têm antecedentes por furtos e roubos, o que acende um alerta sobre a reincidência criminal e a atuação recorrente desse tipo de organização na capital paulista.


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