Imagens de câmeras corporais mostraram que a vítima estava com as mãos erguidas quando foi baleada; dois policiais foram presos em flagrante, e outros dois indiciados por apresentarem versões incompatíveis com as gravações

Lívia Gennari Publicado em 30/07/2025, às 16h37
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réus quatro policiais militares acusados de envolvimento na execução de Igor Oliveira de Moraes Santos durante uma operação na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul da capital, em 10 de julho. A decisão é da juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara do Júri.
Foram denunciados os policiais Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, presos em flagrante por homicídio doloso, após a análise de imagens de câmeras corporais mostrar que efetuaram disparos contra o suspeito mesmo após ele ter se rendido. Também viraram réus Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, que participaram da ação e apresentaram versões contraditórias em relação às gravações.
De acordo com a denúncia, os promotores apontam que “os denunciados agiram impelidos por motivo torpe, deliberando matar o suspeito já rendido e subjugado em ato de desforra e de justiçamento, prevalecendo-se do poder estatal e com o uso indevido da força”.
Câmeras corporais registraram execução
As imagens registradas pelas câmeras corporais foram fundamentais para esclarecer o caso. Elas mostram o momento em que três PMs entram em um cômodo onde estavam os suspeitos. Igor aparece com as mãos erguidas, encostado na parede, quando é atingido por disparos. Mesmo após cair, ele tenta se levantar e é baleado novamente. Um dos policiais ainda grita “As COP”, fazendo referência às câmeras operacionais portáteis.
Segundo o coronel Emerson Massera, chefe da comunicação da PM, a gravação foi ativada por bluetooth quando um dos agentes acionou sua câmera, iniciando automaticamente a captação de imagem nos demais dispositivos. O material desmentiu a versão oficial inicial apresentada pelos policiais, que alegavam confronto armado com os suspeitos.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que o caso será investigado como homicídio doloso (quando há intenção de matar), em inquérito com prazo inicial de 20 dias, prorrogável por até 40 dias. Ao final da investigação, as imagens deverão ser divulgadas.
A morte de Igor provocou revolta na comunidade. No dia seguinte à execução do jovem, moradores organizaram um protesto que terminou em confrontos com a polícia. O tumulto durou cerca de quatro horas e resultou na morte de uma pessoa, na prisão de outra e no ferimento de um sargento da Rota, que foi atingido no ombro. Três viaturas da PM foram danificadas durante o ato.
O caso reacende o debate sobre o uso da força por parte da polícia e a importância das câmeras corporais como ferramenta de fiscalização e transparência em ações de segurança pública.
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