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VIOLÊNCIA

VÍDEO: câmeras corporais expõem execução em operação da Polícia Militar

Nas imagens, Igor Oliveira de Moraes Santos, aparece ajoelhado, com as mãos erguidas e encostado em uma parede, momentos antes de ser baleado por um policial

Caso aconteceu na noite de quinta (10) - Imagem: Reprodução / Câmera de Segurança
Caso aconteceu na noite de quinta (10) - Imagem: Reprodução / Câmera de Segurança

William Oliveira Publicado em 15/07/2025, às 08h00


Uma grave ocorrência envolvendo a Polícia Militar de São Paulo ganhou destaque após a divulgação de imagens de câmeras corporais, que mostram um policial atirando contra um homem já rendido. O caso ocorreu durante uma operação na favela de Paraisópolis, na Zona Sul da capital, na noite de quinta-feira (10).

As imagens revelam a entrada de pelo menos três agentes no cômodo onde estavam os suspeitos. Um deles, identificado como Igor Oliveira de Moraes Santos, aparece com as mãos erguidas, encostado na parede. Em um ato que chocou a opinião pública, um policial efetuou dois disparos contra ele, que caiu no chão. Mesmo assim, o agente ordenou que Igor se levantasse e voltou a atirar enquanto ele tentava se erguer.

Após os disparos, os policiais foram ouvidos gritando "As COP, as COP, as COP", em referência às Câmeras Operacionais Portáteis utilizadas na ação.

Confira:

Segundo o coronel Emerson Massera, porta-voz da PM, as prisões dos envolvidos foram realizadas após análise das imagens. Ele classificou a ação como ilegal: "O homem já estava rendido quando os policiais efetuaram os disparos".

Durante a abordagem, os quatro suspeitos fugiram e se esconderam na casa de um morador não envolvido na ocorrência. Com eles, foram apreendidas três armas de fogo, drogas, dinheiro e celulares.

A corporação afirmou que não tolera desvios de conduta e prometeu uma apuração rigorosa. "Foram condutas criminosas", declarou Massera. "Reconhecemos nosso erro e os policiais já estão sendo responsabilizados e vão responder por isso".

As câmeras utilizadas pelos agentes contam com sistema de ativação automática por Bluetooth. A investigação do homicídio doloso será conduzida em um inquérito com prazo inicial de 20 dias, prorrogáveis por até 40. As gravações completas serão divulgadas ao fim do processo investigativo.

Dois policiais foram presos em flagrante, e outros dois foram indiciados após prestarem depoimentos considerados inconsistentes com as provas.

Na sequência do episódio, a comunidade local organizou protestos que terminaram em tumultos e atos de vandalismo. Durante as manifestações, motoristas foram atacados nas imediações da Avenida Giovanni Gronchi. Um deles, Bruno Leite, de 29 anos, morreu após ser agredido por manifestantes armados com paus e pedras, conforme registrado por imagens aéreas.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) está à frente das investigações. De acordo com a pasta, duas ocorrências distintas estão sob apuração: a morte do suspeito durante a ação policial e a reação violenta de parte da população nos protestos que se seguiram.


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