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JUSTIÇA

PMs são denunciados por execução de suspeito rendido em Paraisópolis

Dois policiais foram presos por homicídio doloso após disparos fatais contra suspeito já rendido; outros dois respondem por falso testemunho

Caso aconteceu no dia 10 de julho - Imagem: Reprodução / Câmera de Segurança
Caso aconteceu no dia 10 de julho - Imagem: Reprodução / Câmera de Segurança

William Oliveira Publicado em 23/07/2025, às 11h22


O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia formal contra quatro policiais militares envolvidos na morte de um suspeito durante operação na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul da capital, no dia 10 de julho. A vítima, já rendida e sob controle dos agentes, foi atingida por disparos fatais.

Dois dos policiais foram presos, acusados de homicídio doloso, com base nas gravações das câmeras corporais que mostram disparos feitos contra o suspeito mesmo após sua rendição. Os outros dois agentes responderão por falso testemunho, já que seus relatos divergem das imagens registradas.

As imagens mostram três PMs entrando em um quarto onde estavam os suspeitos. Igor Oliveira de Moraes Santos aparece com as mãos levantadas e encostado na parede. Um dos agentes dispara duas vezes, fazendo-o cair. Enquanto Igor tenta se levantar, outro tiro é efetuado, seguido por um quarto disparo de outro policial. Após os tiros, um dos PMs grita "As COP", em referência às câmeras operacionais portáteis.

Confira:

A execução registrada em vídeo gerou protestos intensos na região, com tumultos, depredações e confrontos com a polícia. Durante os atos, outro homem identificado como Bruno Leite, de 29 anos, foi atingido por disparos e morreu.

Segundo o coronel Emerson Massera, porta-voz da PM, a prisão dos policiais foi decidida após análise das imagens. Ele afirmou que a operação tinha início legal, mas houve desvio quando o suspeito já estava dominado.

“O homem já estava rendido quando os policiais efetuaram os disparos. (...) A ação dos policiais foi ilegal", disse. "A ação começou completamente legítima. (...) Num determinado momento, esse homem já estava rendido quando os policiais efetivaram os disparos, sem nada que os justificasse”, afirmou Massera.

Durante a ação policial, quatro suspeitos tentaram fugir e buscaram abrigo na casa de um morador. Três armas de fogo, drogas e celulares foram apreendidos. Três homens foram detidos; dois deles não possuíam antecedentes criminais.

A operação utilizava um novo modelo de câmeras corporais que exige ativação manual. Uma das câmeras foi acionada e sincronizou automaticamente as demais por bluetooth.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) conduz a investigação, que também será acompanhada por um Inquérito Policial Militar (IPM). A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que as imagens das câmeras estão sob análise técnica. O inquérito tem prazo inicial de 20 dias, prorrogável por mais 40.

Os protestos iniciaram por volta das 20h, com bloqueios na Avenida Giovanni Gronchi. Imagens mostram manifestantes armados com paus e pedras atacando veículos. Um carro chegou a ser virado. Durante os confrontos, um sargento da Rota foi baleado no ombro e precisará passar por cirurgia. Três viaturas foram danificadas.

Em nota, a SSP reiterou que tanto a Polícia Civil quanto a Militar seguem investigando os eventos. Os policiais haviam sido acionados após denúncia de indivíduos armados em uma área de tráfico. No local, três suspeitos fugiram para uma casa, onde um foi baleado e morreu. Horas depois, durante o protesto, PMs foram atacados a tiros em outro ponto da comunidade. Um suspeito foi morto e um policial ferido foi levado ao Hospital Albert Einstein.

As imagens das câmeras corporais seguem em análise, e diligências continuam para elucidar os fatos.


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