Diário de São Paulo
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Investigação da Polícia Civil mira quadrilha estrangeira que movimentou R$ 480 milhões em golpes virtuais

Operação Cineris revelou esquema que usava empresas de fachada, fintechs e até facções criminosas para movimentar o dinheiro

Mandados são cumpridos cidades do interior e na capital paulista - Imagem: Reprodução | Polícia Civil
Mandados são cumpridos cidades do interior e na capital paulista - Imagem: Reprodução | Polícia Civil

Lívia Gennari Publicado em 27/08/2025, às 14h52


A Polícia Civil de São Paulo, em parceria com o Ministério Público, deflagrou nesta quarta-feira (27) a Operação Cineris, que mira uma quadrilha de estrangeiros especializada em golpes virtuais e lavagem de dinheiro através de um esquema empresarial. Ao todo, são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e sete de prisão nas cidades de São Paulo, São José dos Campos e Ibiúna.

A ação mobiliza 97 policiais civis e conta com o apoio da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic), do Grupo Especial de Reação (GER) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra).

A investigação teve início no 1º Distrito Policial de Rosana, no oeste do estado, após a denúncia de um morador vítima de fraude. O grupo utilizava um site hospedado em Istambul, na Turquia, que simulava aportes financeiros e prometia ganhos em investimentos. A partir do alerta, policiais e promotores descobriram que a organização criminosa atuava em todo o país e, em apenas oito meses, movimentou mais de R$ 480 milhões.

O esquema

A quadrilha tinha um esquema bem definido para disfarçar a origem do dinheiro. O dinheiro das vítimas caía primeiro em contas de “laranjas”. Em seguida, os criminosos assumiam o controle digital dessas contas e transferiam os recursos para empresas de fachada.

A etapa final envolvia o uso de fintechs e gateways de pagamento (sistemas que fazem a ponte entre lojas virtuais e instituições financeiras para processar transações), que funcionavam como intermediários para disfarçar a origem ilícita e redistribuir os valores entre os integrantes da organização.

Além dos crimes cometidos por conta própria, a quadrilha também prestava serviços a outras facções criminosas, que utilizavam a estrutura para ocultar patrimônio.

“Era uma verdadeira ‘lavanderia de dinheiro. A quadrilha tinha um ciclo completo para dissimular a origem ilícita dos valores. Não era só os golpes que esses suspeitos aplicavam, mas eles também ofereciam os serviços a outras organizações”, explicou o delegado Edmar Caparroz.

A operação segue em andamento, e novas diligências devem ocorrer nos próximos dias.


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