Diário de São Paulo
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Influenciador suspeito de desviar R$ 146 milhões via PIX é preso no Panamá

Gabriel Spalone, que estava foragido desde operação da Polícia Civil em São Paulo, foi detido durante tentativa de fuga para a Holanda

Gabriel Spalone, CEO das fintechs Dubai Cash e Next Trading Dubai, foi preso em fuga - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Gabriel Spalone, CEO das fintechs Dubai Cash e Next Trading Dubai, foi preso em fuga - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Lívia Gennari Publicado em 27/09/2025, às 10h24


O influenciador e empresário Gabriel Spalone, de 29 anos, foi detido na noite da última sexta-feira (26), pelo Setor de Imigração no Aeroporto Internacional do Panamá, de acordo com a Polícia Federal. Spalone é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema que teria desviado R$ 146 milhões através de transações via PIX.

Segundo a PF, após deixar o Brasil, Spalone seguiu para o Paraguai e comprou uma passagem com destino a Nova York, nos Estados Unidos, com escala no Panamá, mas acabou desistindo da conexão e adquiriu um bilhete para a Holanda. Foi nesse momento, ao tentar embarcar, que foi detido.

Spalone estava foragido desde terça-feira (23), após a Polícia Civil de São Paulo deflagrar a “Operação Dubai”, que resultou na expedição de um mandado de prisão temporária contra ele.

A Polícia Federal informou que o empresário será deportado para o Paraguai e, em seguida, transferido para o Brasil.A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que Spalone está sob custódia no Panamá, a pedido da polícia de São Paulo, e que os procedimentos legais para sua transferência ao Brasil já estão em andamento.

Gabriel Spalone é proprietário das fintechs Dubai Cash e Next Trading Dubai, que afirmam atuar no Brasil e no exterior. De acordo com as investigações, o golpe ocorreu em fevereiro deste ano, quando 607 transferências via PIX suspeitas, realizadas em poucas horas, somaram R$ 146,5 milhões. As operações partiram de dez contas ligadas a uma empresa parceira do banco, prática conhecida como “PIX indireto”, considerada ilegal.

A rápida ação da instituição financeira permitiu a recuperação de mais de R$ 100 milhões, mas ainda houve um prejuízo estimado em R$ 39 milhões. Entre as vítimas estão o próprio banco e empresas afetadas pelas transferências ilegais.

Posicionamento da defesa

O advogado de Gabriel Spalone, Eduardo Maurício, afirmou que a detenção no Panamá foi “ilegal e abusiva” e causou constrangimento ao influenciador, que, segundo ele, nunca foi intimado pessoalmente a prestar esclarecimentos. A defesa afirma ainda que não há mandado de prisão preventiva vigente no Brasil nem alerta vermelho da Interpol que justificasse a prisão.

“Todos os atos legais já estão sendo tomados para a liberação de Gabriel no Panamá e perante à Interpol. Gabriel já apresentou todas as provas formalmente ao Ministério Público e ao juiz de São Paulo, demonstrando que não há necessidade de prisão temporária ou preventiva, nem qualquer ato ilícito de sua autoria”, disse o advogado.

A prisão de Gabriel Spalone marca um novo capítulo na investigação sobre o desvio milionário via PIX. O influenciador seguirá para o Brasil assim que os trâmites legais forem concluídos, onde deverá prestar esclarecimentos às autoridades sobre sua suposta participação no esquema de fraude.


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