Cinco jovens foram presos por integrar célula extremista que promovia ódio e planejava ataques contra minorias. Suásticas e armas foram apreendidas

Lívia Gennari Publicado em 20/06/2025, às 15h46
Cinco homens com idades entre 18 e 20 anos foram presos na última quarta-feira (18), como suspeitos de integrar uma célula neonazista com atuação em cidades de Minas Gerais e São Paulo.
A ação é resultado da Operação Overlord, conduzida pelas polícias civis dos dois estados e iniciada a partir de informações fornecidas em dezembro de 2023, pela Embaixada dos Estados Unidos, através da agência Homeland Security Investigations.
O grupo é investigado por disseminar mensagens de ódio e promover discursos neonazistas e supremacistas nas redes sociais. Também há indícios de que planejavam ações violentas contra grupos minoritários, como a população LGBTQIA+, judeus, negros e militantes antifascistas.
Os suspeitos realizavam ações extremistas nos quatro municípios citados, incluindo pichações de emblemas nazistas e distribuição de panfletos antissemitas. A Polícia Civil mineira informou ainda que parte dos investigados buscava financiar as atividades por meio da venda online de materiais neonazistas, produzidos com impressoras 3D, e do tráfico de drogas.
Prisões e apreensões
Um dos presos foi localizado em Campinas, no interior paulista, onde a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão. No local, foram encontrados materiais com símbolos nazistas, objetos de apologia à violência e pornografia infantil. Segundo a Polícia Civil, o suspeito foi autuado em flagrante e poderá pegar até nove anos de prisão.
Já em Minas Gerais, as prisões ocorreram em Belo Horizonte, Nova Lima e Poços de Caldas. O líder da célula foi detido ainda na primeira fase da investigação e é apontado como o responsável por coordenar as ações dos demais membros, além de organizar operações de contrainteligência.
Durante as buscas, os policiais apreenderam celulares, computadores, videogames, pen drives, além de itens como soco inglês, espadas, facas, spray de pichação, fardamento paramilitar e materiais de acampamento. Também foram localizados livros sobre Adolf Hitler e armamentos, um caderno com suásticas e o retrato falado de Theodore Kaczinsky, conhecido como "Unabomber", autor de diversos ataques com cartas-bomba nos Estados Unidos.

Os envolvidos foram indiciados por organização criminosa, além dos crimes previstos na Lei 7.716/89, que criminaliza atos de discriminação racial, religiosa e o uso de símbolos ligados ao nazismo.
A operação foi batizada de Overlord, em referência à ofensiva militar que marcou o desembarque das forças aliadas na Normandia, em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. A escolha do nome reforça o caráter simbólico da ação, que busca reprimir a propagação de ideologias totalitárias e violentas no país.
As investigações seguem em andamento para analisar o material apreendido e identificar outros possíveis membros da organização criminosa.
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