Mãe do miliciano Adriano da Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães é acusada de integrar esquema ligado ao jogo do bicho

Erika Osti Publicado em 20/03/2026, às 15h32
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou na quinta-feira (19) a ex-assessora parlamentar Raimunda Veras Magalhães, que trabalhou no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho. Segundo a acusação, Raimunda, mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, morto em 2020, teria atuado diretamente na movimentação e ocultação de recursos obtidos em atividades ilegais controladas pelo grupo criminoso liderado pelo filho.
De acordo com o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado, Raimunda integrava uma rede de pessoas e empresas de fachada usada para dar aparência legal ao dinheiro ilícito. O esquema operava principalmente na Zona Sul do Rio, com foco em Copacabana, em parceria com o contraventor Bernardo Bello. As investigações apontam que mais de R$ 8,5 milhões foram movimentados em pouco mais de um ano.
Empreendimentos como bar, restaurante, distribuidora de bebidas e até um quiosque em shopping aparecem entre os negócios utilizados para circular os valores. Em um dos casos, uma conta vinculada a um serviço de estética teria registrado cerca de R$ 2 milhões em créditos em apenas seis meses, o que levantou suspeitas dos investigadores.
Raimunda trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio em 2015 e, no ano seguinte, passou a atuar no gabinete de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual pelo PP. Ela permaneceu no cargo até novembro de 2018, quando foi exonerada após o parlamentar ser eleito senador. À época, recebia cerca de R$ 6,5 mil mensais.
A denúncia também menciona a atuação de Julia Lotufo, viúva de Adriano, apontada como responsável por gerir os ativos do grupo após a morte do miliciano. Segundo o MP, ela teria participado da venda de imóveis e propriedades rurais ligados à organização, em um total estimado de R$ 3,5 milhões.
No total, 19 pessoas foram denunciadas na chamada Operação Legado, que resultou na expedição de mandados de prisão e de busca e apreensão. As acusações foram divididas em três frentes: lavagem de dinheiro, organização criminosa e ocultação de patrimônio.
O caso ocorre após o arquivamento, em 2021, de investigações relacionadas a suspeitas de “rachadinhas” no gabinete do parlamentar. Na ocasião, decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal anularam provas por falhas processuais, impedindo o julgamento do mérito.
Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não é investigado nem citado no caso. O texto ressalta que o vínculo profissional com Raimunda ocorreu há cerca de dez anos e não implica responsabilidade sobre eventuais atos cometidos por ela.
Leia também

Nova namorada de Manoel Gomes, o Caneta Azul, faz revelação sobre vida íntima do casal

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Caso Palmeiras: Laudo do IML não aponta lesões corporais, mas Polícia Civil mantém investigação de suposto abuso infantil

Silvia Abravanel anuncia pré-candidatura e disputa vaga na Câmara pelo PSD

Incêndio destrói galpão de distribuidora de autopeças na Lapa, em São Paulo

Negociações climáticas em Bonn encerram etapa sem texto final aprovado

Gilmar critica atuação de Mendonça em tratativas de delação de Vorcaro e vê semelhanças com a Lava Jato

Influenciador relata ter sido retirado de campanhas publicitárias por causa da deficiência: “Disseram que eu causaria constrangimento”

Anvisa aprova primeiro remédio não hormonal contra ondas de calor da menopausa

Polícia estoura canil clandestino na Zona Leste de SP e resgata mais de cem felinos de raça