Fátima, mãe de Leandro Lo diz que família reviveu a dor da perda após absolvição e reintegração do PM acusado de matar o campeão de jiu-jítsu

Lívia Gennari Publicado em 26/11/2025, às 08h00
A mãe do campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, Fátima Lo, diz que reviveu a dor da perda do filho ao receber a notícia da absolvição do tenente Henrique Otávio Oliveira Velozo, que voltou ao quadro da Polícia Militarde São Paulo após determinação liminar do Tribunal de Justiça.
Senti que meu filho morreu novamente. Quando ele{Velozo}matou o Leandro e quando foi absolvido, para mim ele morreu duas vezes”, afirmou em entrevista.
Para Fátima, a decisão do júri, que considerou que o policial agiu em legítima defesa ao atirar na cabeça do lutador durante uma discussão no Clube Sírio, em agosto de 2022, deixou a família sem chão.
A gente se sente injustiçado. Não entende por que ele foi absolvido”, declarou.
Como a morte de Leandro abalou a família
Desde a morte do filho, Fátima diz que a rotina da família nunca mais foi a mesma. O lutador, oito vezes campeão mundial, era descrito como o centro das relações familiares.
A família acabou. Ele era o nosso pilar, muito especial. Enquanto mãe, morri por dentro. Essa dor não tem cura”, desabafou.

O tenente Henrique Velozo permaneceu por mais de três anos presopreventivamente, acusado de homicídio doloso triplamente qualificado. Após o júri concluir que ele agiu em legítima defesa, o policial foi absolvido, solto e reintegrado ao efetivo da PM, com salário de R$ 14,6 mil registrado antes da demissão anunciada pelo governador Tarcísio de Freitas em setembro.
Para a mãe de Leandro, o desfecho judicial do caso reforça o sentimento de injustiça.
“Não foi um julgamento justo. Que legítima defesa é essa se ele já havia sido detido?”, questiona. “Foi um choque!”
Mãe rebate críticas sobre briga com motoboy
Fátima relembrou o episódio envolvendo o filho e motoboys no Itaim Bibi, em 2021, no qual Leandro chegou a responder por lesão corporal, processo que foi extinto após sua morte. O caso voltou a circular nas redes após a absolvição de Velozo.
Ele errou, estava de sangue quente. Mas por causa desse vídeo estão demonizando o Leandro”, afirmou.
Segundo ela, a tentativa de resgatar o episódio para justificar a morte do atleta é injusta:
Meu filho não matou ninguém. Leandro era amado no Brasil e no mundo. Recebo mensagens de amor todos os dias.”
Relembre o caso
O episódio envolvendo Leandro Lo e dois motoboys ocorreu na saída de um localizado na zona oeste de São Paulo. Segundo o processo, uma discussão começou após um dos entregadores buzinar para apressar a travessia do atleta e de seus amigos.
A confusão evoluiu para agressões mútuas: Leandro admitiu ter jogado água e dado tapas em um dos motoboys, enquanto o profissional reconheceu ter atingido o tio do lutador com um golpe de capacete.
Veja o vídeo
Ambos tiveram lesões leves. O caso resultou em uma denúncia por lesão corporal contra o lutador, que não compareceu às audiências, mas o processo foi extinto após o falecimento de Leandro, em 2022.
Luto que não termina
Mais de três anos depois do crime, Fátima Lo diz que vive um luto permanente. A absolvição do PM Velozo e sua reintegração à corporação reacenderam a dor da perda, que ela descreve como irreversível.
“Para mim, a vida não tem mais graça. É uma ferida que não fecha.”
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