O tenente da Polícia Militar Henrique Velozo deixou a prisão após mais de três anos e três meses detido, depois que o júri aceitou o argumento de legítima defesa

William Oliveira Publicado em 19/11/2025, às 12h26
O tenente da Polícia Militar de São Paulo, Henrique Otávio Oliveira Velozo, foi reintegrado à corporação após ser absolvido da acusação de homicídio do campeão mundial de jiu-jitsu Leandro Lo. A apresentação oficial do policial à PM ocorreu nesta semana, marcando seu retorno à ativa.
Em setembro, Velozo havia sido desligado da corporação por um decreto assinado pelo governador Tarcísio de Freitas, que alegou a prática de atos incompatíveis com a função de policial militar, conforme decisão do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.
O episódio envolvendo Leandro Lo ocorreu em agosto de 2022, durante um evento musical em um clube na zona sul da capital paulista. As investigações indicaram que Velozo, fora de serviço e vestindo roupas civis, teve um desentendimento com o lutador e disparou contra ele, atingindo-o fatalmente na cabeça. Apesar dos esforços médicos, Lo não resistiu aos ferimentos.
Após o incidente, o policial se apresentou à Corregedoria da Polícia Militar no dia seguinte e foi detido preventivamente, respondendo por homicídio triplamente qualificado, com a promotoria pedindo pena superior a 20 anos devido ao motivo torpe e uso de meios cruéis.
Durante a reconstituição do crime, testemunhas relataram que Lo chegou a imobilizar Velozo; no entanto, após se desvencilhar, o policial disparou e desferiu dois chutes contra o lutador. A defesa de Velozo argumentou legítima defesa, tese aceita pelo júri na última sexta-feira (12).
Com a decisão favorável, Velozo deixou a prisão após mais de três anos e três meses detido preventivamente. Poucos dias depois, ele divulgou um vídeo nas redes sociais pedindo desculpas à família e amigos de Leandro Lo, afirmando que se viu obrigado a "sujar as mãos" para preservar sua própria vida:
"Em nome dEle, preciso fazer um pedido, que é um pedido de perdão aos familiares, à mãe, ao pai, à irmã, aos amigos e a todas as pessoas que amavam o Leandro Lo. Mas também gostaria de esclarecer que, nesse trágico dia, fui colocado em um limite, um limite que eu não gostaria de estar. Tive, infelizmente, que sujar minha mão para poder preservar minha vida."
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A decisão do júri popular que inocentou Velozo gerou reações intensas. Fátima Lo, mãe do lutador, expressou tristeza e indignação diante do veredicto e anunciou a intenção de recorrer da decisão, comparando a sensação ao ato de enterrar seu filho pela segunda vez.
O policial respondia à acusação de homicídio triplamente qualificado, e havia expectativa de uma pena mínima de 20 anos.
O crime ocorreu em 7 de agosto de 2022, durante um show de pagode em um clube na Zona Sul de São Paulo. Na reconstituição dos fatos, testemunhas relataram que Leandro Lo imobilizou Velozo antes deste disparar assim que conseguiu se desvencilhar.

Após ser atingido e já caído, Lo teria sido agredido com dois chutes pelo policial. No tribunal, Velozo alegou agir em legítima defesa, argumento aceito por quatro dos sete jurados presentes no julgamento.
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