Influenciadora investigada por lavagem de dinheiro ligada ao PCC deixou penitenciária na capital paulista na manhã desta sexta-feira

Julio Cezar Souza Publicado em 22/05/2026, às 09h38
A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi transferida na manhã desta sexta-feira (22) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A unidade prisional, que tem capacidade para 714 detentas, atualmente abriga 873 mulheres, segundo dados do sistema penitenciário estadual.
A transferência foi confirmada pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves. Deolane deixou a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital, por volta das 5h da manhã, sob escolta policial. A previsão era de chegada ao novo presídio por volta do meio-dia.
A influenciadora passou a primeira noite presa após ser detida em Alphaville, em Barueri, durante a Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, Deolane teria participação relevante na estrutura financeira da facção criminosa. O inquérito aponta que contas associadas à advogada eram utilizadas para movimentar recursos ilícitos e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Antes de ser encaminhada ao sistema prisional, Deolane passou pela sede da Polícia Civil no Centro de São Paulo. Ao deixar o local, afirmou rapidamente que “a Justiça vai ser feita”.
A audiência de custódia ocorreu ainda na quinta-feira (21), quando a Justiça decidiu manter a prisão preventiva da influenciadora.
A Penitenciária Feminina de Santana, onde Deolane passou a noite, também enfrenta superlotação. A unidade possui capacidade para 2.686 detentas, mas atualmente abriga 2.825 mulheres, de acordo com informações da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
O presídio fica localizado na região do Carandiru, área marcada historicamente pelo antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, demolido após o massacre de 1992, episódio que resultou na morte de 111 presos e se tornou um dos casos mais emblemáticos do sistema prisional brasileiro.
As investigações apontam que a influenciadora utilizaria sua estrutura empresarial e sua imagem pública para dar aparência de legalidade a recursos provenientes do crime organizado. Segundo a polícia, o dinheiro era misturado a valores de outras atividades antes de retornar à facção.
Os investigadores afirmam ainda que parte dos recursos era convertida em bens de alto valor registrados em nome de empresas ligadas à advogada. Entre os itens citados na apuração estão uma Ferrari SF90 Stradale avaliada em aproximadamente R$ 4,7 milhões e um Porsche 911 Carrera.
A defesa de Deolane Bezerra ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações apresentadas pela investigação.
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