Diário de São Paulo
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Versões em confronto

Defesa de PM diz que disparo foi para conter agressão em morte na zona leste de SP

Caso envolvendo morte de mulher após tiro de policial tem versões divergentes e é investigado pelas corregedorias

A Polícia Civil e Militar investigam o caso com prioridade, enquanto a PM envolvida é afastada das atividades operacionais - Imagem: Reprodução/TV Globo
A Polícia Civil e Militar investigam o caso com prioridade, enquanto a PM envolvida é afastada das atividades operacionais - Imagem: Reprodução/TV Globo

Letícia Sales Publicado em 11/04/2026, às 11h32


A defesa da soldado da Polícia Militar Yasmin Cursino Ferreira se manifestou neste sábado (11) sobre a morte de Thawanna da Silva Salmázio, baleada no peito durante uma abordagem na zona leste de São Paulo.

Em nota, o advogado Alexandre Guerreiro afirmou que a policial agiu para interromper uma agressão.

“A PM foi agredida por Thawanna e efetuou um único disparo para cessar a escalada das agressões por parte da vítima”.

A defesa também sustenta que a agente é inocente e que o socorro foi acionado imediatamente após o ocorrido.

O caso aconteceu na Rua Edimundo Audran, durante a madrugada. Imagens de câmeras corporais mostram o momento em que uma viatura passa pelo local e atinge, com o retrovisor, o braço de Luciano Gonçalves dos Santos, marido da vítima. A situação evolui para uma discussão envolvendo os policiais e o casal.

Pouco depois, a policial desembarca da viatura e inicia um confronto verbal com Thawanna. Em meio à escalada da tensão, um disparo é efetuado.

Segundo relatos, a vítima permaneceu ferida no chão por cerca de 30 minutos à espera de atendimento, apesar da proximidade com uma unidade de saúde.

A versão apresentada pelo companheiro da vítima diverge da narrativa policial.

“Não houve qualquer tipo de abordagem e que a PM desceu da viatura atirando”.

Ele também afirmou que o casal caminhava pela rua quando quase foi atingido pelo veículo policial.

“Com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi”.

Em outro momento, ainda durante a discussão, é possível ouvir:

“Vai agredir? Vai agredir?”

Já em depoimento, a policial afirmou que o casal apresentava sinais de embriaguez e que o homem precisou ser contido por comportamento considerado agressivo. Segundo ela, Thawanna teria iniciado agressões físicas durante a abordagem.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso é investigado com prioridade pela Polícia Civil e pela Polícia Militar, com acompanhamento das corregedorias.

“As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das Corregedorias. As imagens das câmeras corporais e os laudos periciais já integram a investigação”.

A policial foi afastada das atividades operacionais enquanto durarem as apurações.

A morte gerou protestos na região nos dias seguintes. Moradores ergueram barricadas e incendiaram objetos, o que levou à atuação de equipes do Corpo de Bombeiros e da tropa de choque. Houve confronto e uso de gás lacrimogêneo, além de tentativa de incêndio a um ônibus. Não houve registro de feridos ou prisões.

Moradores protestam após a morte de Thawanna, com barricadas e confrontos com a polícia na zona leste de São Paulo
Imagem: Reprodução/TV Globo

O caso foi registrado no 49º Distrito Policial (São Mateus) e segue sob investigação.


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