Um descuido da golpista revelou toda a farsa para a polícia

Nathalia Jesus Publicado em 27/03/2023, às 08h05
Um coronel da reserva das Força Aérea Brasileira (FAB) foi brutalmente assassinado em agosto do ano passado. A partir desse momento, uma garota de programa se passou por ele, por mensagens de celular, durante quatro meses.
Jerusa e Perdiza se conheceram em 2020, em uma casa noturna. Depois de algum tempo em que mativeram o relacionamento, o coronel chamou a mulher para morar com ele.
O Coronel Roberto Perdiza foi visto pela última vez em agosto de 2022, quando saiu de casa em um carro de aplicativo.
Como mostra a reportagem exibida no 'Fantástico', da TV Globo, a primeira pessoa que notou a ausência do coronel foi um zelador do prédio, que logo contatou a irmã do militar uma semana depois, já em setembro. Elodéa Perdiza, porém, informou que continuava trocando mensagens com o irmão normalmente.
Milton Moreira, um advogado e amigo de Roberto Perdiza, também sentiu falta do amigo, mas não conseguiu contatar o amigo pelo telefone. Sendo assim, ele decidiu procurar por Jerusa, que morava com o coronel e disse que eles estavam "bem" e que pediria ao namorado para ligar para Milton, o que nunca aconteceu.
O caso, inicialmente, foi registrado como desaparecimento voluntário. Para a polícia, Jerusa negou que morasse com Perdiza, mas também confirmou que tinha contato com o agente.
As investigações da polícia concluíram que, após o assassinato, pelo celular da vítima, Jerusa enviava mensagens e fotos para familiares e amigos, se passando por ele, para que ninguém sentisse falta de Perdiza.
Contudo, depois de algum tempo, o tom das conversas começou a mudar e as mensagens pediam para que as pessoas parassem de procurá-lo pois ele estava bem e no Rio de Janeiro: "Me deixem em paz".
Depois disso, a mulher foi chamada para prestar depoimento na delegacia e afirmou que havia recebido a mesma informação. No entanto, os amigos do coronel desconfiaram da afirmação.
A polícia também descobriu que Jerusa sacava dinheiro da conta do coronel, e ainda tentou vender o apartamento dele. Câmeras do prédio mostraram a mulher acompanhada de corretores de imóveis, e áudios revelaram a urgência em fechar o negócio.
Três meses após o desaparecimento, a polícia encontrou um corpo em uma cidade localizada próxima a Natal, onde o casal morava. Porém, era praticamente impossível identificar de quem eram aqueles restos mortais, uma vez que estavam sem a cabeça e as mãos.
De acordo com as investigações da polícia, Jerusa chamou o namorado para ir até um motel no mesmo dia em que ele foi filmado pela última vez saindo de seu apartamento. Os dois saíram do local em um veículo que parecia ser de aplicativo, mas, na verdade, era conduzido por um matador de aluguel, comparsa de Jerusa.
Roberto Perdiza foi morto com um tiro. O corpo dele foi levado até um terreno, onde foram cortadas as mãos e a cabeça do coronel.
Jerusa foi presa em dezembro, e o comparsa dela no crime, em janeiro. Ambos responderão por latrocínio e podem ser condenados em até 30 anos de prisão.
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