Investigado por operar esquema de lavagem de R$ 19 milhões com o influenciador Buzeira, Rodrigo Morgado teve o recurso indeferido pela 5ª Vara Federal de Santos

Gabriela Nogueira Publicado em 19/10/2025, às 10h31
A Polícia Federal prendeu, na última terça-feira (14), o contador Rodrigo Morgado durante uma operação no bairro Ponta da Praia, em Santos (SP). A ação integrou a Operação Narco Bet, que também levou à prisão do influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira.
As investigações apontam que Morgado seria responsável por movimentações financeiras suspeitas relacionadas a um esquema internacional de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico de drogas. Relatórios da PF revelam que o contador teria intermediado R$ 19 milhões em transações com empresas ligadas ao influenciador.
A defesa solicitou que ele cumprisse prisão domiciliar, alegando que precisava cuidar dos filhos pequenos — um deles em tratamento médico. O pedido, porém, foi rejeitado pela 5ª Vara Federal de Santos. O juiz Roberto Lemos dos Santos Filho entendeu que os cuidados das crianças estão sob responsabilidade da mãe e que não há amparo legal para a substituição da pena.
Em sua decisão, o magistrado destacou a gravidade dos indícios contra o contador. Segundo o processo, há provas de que ele movimentou valores que superam o orçamento anual de vários municípios brasileiros. Para o juiz, conceder liberdade provisória ou prisão domiciliar poderia comprometer a ordem pública e dificultar as investigações.
Documentos obtidos pela PF indicam que Morgado atuava como operador financeiro de uma complexa rede de lavagem de capitais. Ele é acusado de usar empresas fictícias e o setor de apostas online para ocultar a origem ilícita dos recursos. Entre as operações identificadas, há uma transferência de R$ 6,5 milhões destinada à compra de uma mansão em nome de Buzeira, além da emissão de nota fiscal de R$ 50 milhões e da suposta participação na aquisição de um veleiro apreendido com cocaína entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias.
A Operação Narco Bet é um desdobramento da Narco Vela, deflagrada em abril deste ano, quando Morgado também havia sido detido por porte ilegal de arma. As investigações apontam que o contador centralizava o controle financeiro de diversas empresas e operava como um “banco particular” para outros suspeitos do esquema.
O advogado Felipe Pires de Campos, que representa Morgado, disse não poder comentar detalhes do caso por conta do sigilo judicial, mas reafirmou a confiança na Justiça e na inocência do cliente.
Formado em Ciências Contábeis, com especialização em Negócios e Finanças em Londres, Morgado é casado com uma advogada e pai de dois filhos. Antes da prisão, costumava compartilhar momentos familiares nas redes sociais e atuava como proprietário da empresa Quadri Contabilidade, em Santos.
O caso reacende o debate sobre o uso do sistema financeiro e do mercado de apostas como instrumentos para o lavagem de dinheiro, além de evidenciar o desafio das autoridades no combate às novas modalidades de crimes econômicos.
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