Douglas Alves da Silva foi preso após tentar fugir e reagir à abordagem; Tainara Souza Santos teve as pernas amputadas e segue internada em estado grave

Lívia Gennari Publicado em 02/12/2025, às 14h45
O homem acusado de atropelar e arrastar Tainara Souza Santos por aproximadamente um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo, afirmou à polícia que não sabia quem era a jovem atingida pelo carro que ele conduzia. Preso no domingo (30), Douglas Alves da Silva, de 26 anos, apresentou aos investigadores uma versão que contraria relatos de familiares e amigos da vítima, que afirmam que os dois mantiveram um breve relacionamento.
Douglas tentou fugir após o ataque, mas acabou detido. Dentro da viatura o suspeito insistiu que jamais tinha visto Tainara antes. Ele afirmou que seu alvo seria um homem que, segundo ele, o teria ameaçado de morte dentro do bar onde a confusão começou. “Não conheço ela, meu rei… Voltei para atropelar ele”, disse aos agentes.
A versão é contestada tanto por testemunhas quanto por pessoas próximas à vítima. Para elas, Douglas sabia exatamente quem era Tainara, e teria agido movido por ciúmes após um desentendimento no Bar do Tubarão, no Parque Novo Mundo, Zona Norte da capital.
A jovem havia passado a madrugada no local acompanhada de uma amiga. Funcionários do bar também relataram que viram o momento em que Douglas acelerou o carro diretamente contra a jovem. Um deles afirmou ter observado o motorista acionar o freio de mão após o impacto, para aumentar o atrito do veículo contra o corpo dela.
Gravemente ferida, Tainara foi arrastada até a Marginal do Tietê. Ela passou por múltiplas cirurgias e teve as pernas amputadas devido às lesões extensas. A jovem permanece internada, entubada e em estado crítico.
Imagens do ataque, registradas por uma testemunha, foram entregues à polícia.
Segundo a Polícia Civil, Douglas foi localizado em um hotel na Vila Prudente, Zona Leste, e tentou reagir no momento da prisão, chegando a avançar sobre um policial para tomar a arma dele. Baleado, foi socorrido e depois encaminhado à delegacia, onde teve a prisão mantida após audiência de custódia.
O caso é investigado como tentativa de feminicídio qualificado por crueldade. A polícia agora trabalha para reconstruir a dinâmica do crime e verificar se a alegação do suspeito — de que não conhecia a vítima — se sustenta diante das evidências e dos depoimentos colhidos.
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