"Se ele atravessar nosso caminho de novo, meto bala na cara dele". A declaração, atribuída a Josimar Maranhãozinho

Jair Viana Publicado em 13/03/2025, às 19h34
Três deputados federais do PL, réus em ação aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), são acusados não apenas de venderem emendas parlamentares, mas também de ameaçarem de morte um lobista que teria "atravessado" o esquema de corrupção. Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE) respondem a processos por cobrarem R$ 1,67 milhão em propinas do prefeito de São José de Ribamar (MA), em 2022, em troca da liberação de recursos públicos via emendas.
O caso ganhou contornos mais graves após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontar, em denúncia de agosto de 2023, que um dos parlamentares teria ameaçado executar um intermediário do esquema com a frase: "Se ele atravessar nosso caminho de novo, meto bala na cara dele". A declaração, atribuída a Josimar Maranhãozinho em diálogos interceptados, teria sido feita após suspeitas de que o lobista envolvido no acordo desviara parte do valor combinado.
As investigações revelam que o grupo atuava em conjunto para negociar emendas parlamentares destinadas ao município maranhense, condicionando a liberação dos recursos a um percentual ilegal de "retorno". O prefeito de São José de Ribamar, alvo das cobranças, tornou-se colaborador da Justiça e detalhou como os deputados pressionavam por pagamentos, usando intermediários para ocultar o fluxo do dinheiro desviado.
A ameaça de morte, segundo a PGR, expõe a violência associada a esquemas de corrupção no Legislativo. Para especialistas em direito penal, a intimidação reforça a tese de organização criminosa, já que o objetivo seria assegurar o controle ilícito sobre o repasse de verbas públicas. O STF, ao aceitar a denúncia, destacou que as interceptações comprovam "padrão deliberado de corrupção e coerção".
Enquanto os deputados negam as acusações e afirmam ser vítimas de "perseguição política", o caso reacende o debate sobre o controle das emendas parlamentares, mecanismo historicamente vulnerável a desvios. A defesa de Maranhãozinho nega a autoria da ameaça, mas a PGR sustenta que as provas são "sólidas e incontestáveis".
A ação no STF mantém os três parlamentares no centro do escândalo, em um ano marcado por tensões entre o Judiciário e o Congresso. Se condenados, eles podem perder o mandato e responder por crimes de corrupção, formação de quadrilha e ameaça — este último, agravado pelo uso da função pública para intimidar. Enquanto isso, o prefeito colaborador e o lobista ameaçado seguem sob proteção judicial, em um caso que ilustra os riscos de quem tenta romper com estruturas ilegais no poder.
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