Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), em São Paulo, acusado de comandar um esquema bilionário de fraudes e uma rede clandestina de monitoramento para intimidar funcionários e críticos

William Oliveira Publicado em 04/03/2026, às 13h18
Na manhã desta quarta-feira (4), Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi preso por determinação do ministro do STF André Mendonça. Investigadores apontam que o banqueiro mantinha um grupo organizado para ameaçar e monitorar funcionários e ex-colaboradores que contrariavam suas ordens.
O relatório da Polícia Federal indica que Vorcaro se comunicava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, responsável por executar ações de vigilância e coleta de informações sigilosas. Em uma das mensagens, Vorcaro escreve sobre uma funcionária que o estaria ameaçando:
“Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.”
Mourão pergunta o que deveria fazer, e o banqueiro responde: “Puxa endereço tudo.” Em outra troca, Vorcaro orienta que “A Turma” — estrutura de monitoramento do grupo — intimide um funcionário que teria gravado conteúdos indesejados sobre ele, chegando a dizer: “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar.”
Além disso, mensagens mostram que documentos pessoais dos funcionários eram compartilhados e utilizados para rastreamento, reforçando o caráter de intimidação do esquema.
A prisão preventiva de Mourão ocorreu na mesma manhã. Segundo André Mendonça, a medida visa garantir a ordem pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal. A Polícia Federal destacou que Vorcaro mantinha contrato com Mourão para coordenação de atividades de coleta de dados e monitoramento de pessoas, de interesse do grupo.
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. Segundo a PF, o grupo investigado pode ter cometido crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Vorcaro foi detido em sua residência e encaminhado à Superintendência da PF na capital paulista. Ao todo, a operação cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As apurações contam com apoio do Banco Central do Brasil.
A decisão judicial também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo e preservar valores possivelmente obtidos de forma ilícita.
A prisão ocorreu no mesmo dia em que o empresário deveria prestar depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado Federal. A convocação havia sido aprovada após requerimento do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Na terça-feira (3), André Mendonça atendeu a pedido da defesa e dispensou Vorcaro da obrigatoriedade de comparecer à comissão.
O empresário já cumpria medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Também estava prevista sua oitiva na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na próxima terça-feira (10).
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