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Histórico

USP surpreende o mundo com nascimento de trigêmeos em útero transplantado

Paciente nasceu sem útero e engravidou após receber o órgão da própria irmã

Com esse feito, o Brasil se destaca novamente no cenário mundial da medicina, após conquistas anteriores em transplantes - Imagem: Reprodução/Agência SP
Com esse feito, o Brasil se destaca novamente no cenário mundial da medicina, após conquistas anteriores em transplantes - Imagem: Reprodução/Agência SP

Gabriela Nogueira Publicado em 18/11/2025, às 15h39


O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP viveu um momento histórico em agosto com o nascimento de trigêmeos gestados em um útero transplantado. É a primeira vez que isso acontece no mundo e, para completar, a doação do útero veio de uma pessoa viva, algo inédito na América Latina.

A mãe dos bebês nasceu sem útero, condição causada pela síndrome de Rokitansky, que afeta cerca de uma em cada quatro mil mulheres. Ela aguardava um órgão de uma doadora falecida quando surgiu um novo caminho: sua própria irmã se ofereceu para doar o útero. Já mãe de dois filhos, ela decidiu ajudar e possibilitar que a irmã realizasse o sonho de engravidar.

Segundo o professor Dani Ejzenberg, do Centro de Reprodução Humana do HC, apenas um embrião foi implantado no fim de janeiro justamente para evitar gestação múltipla. Mas o improvável aconteceu. O embrião se dividiu, algo extremamente raro, e a gravidez evoluiu para trigêmeos.

Por ser uma gestação de alto risco e em um útero transplantado, a equipe médica acompanhou cada etapa de perto. Obstetras, especialistas em reprodução humana e profissionais da área de transplantes trabalharam juntos. Para o professor Wellington Andraus, da Divisão de Transplantes do HC, o caso também mostrou a força dos embriões que estavam congelados desde 2014, provando que eles podem se manter viáveis por muitos anos.

Os bebês nasceram com sete meses de gestação, passaram por cuidados iniciais e já estão em casa, se desenvolvendo bem. A mãe e a equipe celebraram não só a chegada das crianças, mas também o avanço científico que o caso representa.

O feito coloca o Brasil novamente no mapa mundial da medicina reprodutiva. A equipe da USP já havia sido responsável pelo primeiro bebê do mundo nascido de um útero de doadora falecida e agora adiciona mais uma conquista de impacto internacional.


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