Até agora, 26 pessoas foram detidas, incluindo 17 policiais militares, em uma operação contra a corrupção policial

William Oliveira Publicado em 17/03/2025, às 09h35
Um incidente alarmante envolvendo a Polícia Militar (PM) ocorreu no dia 8 de novembro de 2024, quando Vinícius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi assassinado no Aeroporto Internacional de São Paulo. O tenente Fernando Genauro, figura central na investigação, foi fotografado ao lado de maços substanciais de dinheiro no volante de um carro luxuoso logo após o crime.
Genauro, detido desde 18 de janeiro, é suspeito de ter dirigido um Volkswagen Gol preto que transportava os assassinos de Gritzbach. Ele, junto com os colegas PMs Ruan Silva Rodrigues e Dênis Antônio Martins, foi formalmente acusado não apenas pelo homicídio do delator, mas também pela tentativa de homicídio de um motorista de aplicativo que foi atingido durante o ataque, além de associação criminosa.
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) teve acesso ao conteúdo da nuvem do celular de Genauro, um iPhone Pro Max 15, adquirido um dia após o assassinato, avaliado em cerca de R$ 8 mil. As investigações revelaram, além da foto dos maços de dinheiro, imagens de relógios de luxo em um estojo sofisticado.
No dia 14 de março, o DHPP concluiu seu inquérito sobre o homicídio. O relatório policial agora será submetido ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), que decidirá sobre possíveis denúncias contra os envolvidos.
Informações de fontes próximas a Genauro indicam que ele comprou o carro luxuoso em janeiro deste ano, cerca de dois meses após o assassinato. Após sua prisão, o veículo foi apreendido, mas, até o momento, ninguém se apresentou como proprietário. O relatório final da investigação afirma: "Não há dúvidas de que Genauro adquiriu o carro com o proveito do crime, pouco mais de um mês após o homicídio".
Gritzbach havia realizado delações premiadas com o MPSP e a Corregedoria da Polícia Civil poucos dias antes de sua morte. Em suas declarações, ele expôs a conexão entre agentes públicos e o PCC, além de identificar indivíduos envolvidos na lavagem de dinheiro da maior facção criminosa do Brasil.
Além da investigação do DHPP, a Polícia Federal (PF) também conduz um inquérito sobre uma organização criminosa formada por policiais civis supostamente ligados ao PCC, investigando casos de corrupção ativa e passiva.
Até o momento, 26 suspeitos foram detidos: 17 policiais militares, cinco policiais civis e quatro associados a Kauê do Amaral Coelho, considerado o informante que alertou os executores sobre a chegada de Gritzbach. Kauê está foragido até a publicação deste artigo.
Câmeras de segurança registraram a execução do delator enquanto ele se aproximava do veículo blindado que o aguardava na área de desembarque do aeroporto. A investigação também confirmou que os três policiais militares utilizaram celulares para se comunicar antes e durante o crime, evidenciando sua presença na região nas horas que antecederam e sucederam o homicídio.
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