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Rara esmeralda bilionária permanece em bunker de São Paulo durante leilão

Peça preciosa de 241 quilos está sob vigilância eletrônica enquanto acontece o leilão eletrônico com lance inicial de R$ 105 milhões

O leilão, que começou em setembro, foi prorrogado devido à falta de lances, com um lance inicial de R$ 105 milhões - Imagem: Reprodução/Paola Patriarca/g1
O leilão, que começou em setembro, foi prorrogado devido à falta de lances, com um lance inicial de R$ 105 milhões - Imagem: Reprodução/Paola Patriarca/g1

Gabriela Nogueira Publicado em 21/10/2025, às 18h45


Uma rocha com esmeraldas descoberta por garimpeiros da Cooperativa Mineral da Bahia (CMB) durante a extração na Serra da Carnaíba ganhou destaque no mercado internacional. Avaliada em cerca de R$ 2 bilhões (aproximadamente US$ 374 milhões), a peça de 241 quilos está sob rigoroso esquema de segurança em local sigiloso na capital paulista.

Atualmente, a esmeralda está em leilão eletrônico promovido pela Positivo Leilões, iniciado em 18 de setembro e com término previsto para 28 de outubro. O prazo foi prorrogado devido à falta de lances até o momento. O lance inicial foi fixado em R$ 105 milhões, e a Agropecuária Vale Rico Ltda. é a proprietária do bem.

A “canga” — bloco rochoso que contém cristais de esmeralda — impressiona não apenas pelo tamanho, mas também pela qualidade e pureza das gemas que podem ser extraídas ou mantidas na formação original. O bunker que abriga a esmeralda possui um complexo sistema de proteção, com cinco salas de controle biométrico, câmeras de monitoramento e seguranças armados. A entrada é protegida por porta blindada com sensores que detectam acessos não autorizados. Em caso de violação, o sistema aciona alarmas sonoros e visuais, além de liberar fumaça que preenche o ambiente em segundos.

A estrutura da canga mede cerca de 90 cm de altura e 40 cm de largura, sendo composta predominantemente por xisto e quartzo. Estima-se que entre 45% e 50% do peso total corresponda a cristais naturais de esmeralda, o que representa cerca de 110 a 120 quilos. Um laudo técnico assinado pelo gemólogo Norman Michael Rodi destaca que as pedras apresentam tamanho e peso acima da média, com cores equilibradas e formas hexagonais bem definidas.

O leiloeiro Erick Soares Teles ressalta a singularidade do achado:

“É raro encontrar uma peça dessa magnitude e conservação. Estamos diante de uma verdadeira raridade geológica que reflete o fascínio universal das esmeraldas.”
Ele acrescenta que o comprador não adquire apenas uma gema, mas um exemplar mineral incomparável no mundo.

A descoberta ocorreu na Serra da Carnaíba, região reconhecida pela extração de esmeraldas desde a década de 1960 e considerada referência internacional pela qualidade das gemas. A comercialização segue todas as normas legais brasileiras, e o vendedor possui as autorizações necessárias para a venda.

O leilão deve atrair colecionadores e investidores do setor mineral. Após o arremate, o comprador deverá pagar 5% do valor em até 48 horas e os 95% restantes em até cinco dias úteis. Todas as despesas com transporte e impostos ficarão a cargo do vencedor.

A Serra da Carnaíba é um dos principais centros produtores de esmeraldas do Brasil e do mundo. A formação dessas gemas resulta de processos geológicos complexos que levam milhões de anos, geralmente associados à atividade tectônica intensa.

As esmeraldas se originam da interação entre rochas ricas em berílio e fluidos hidrotermais contendo cromo e vanádio, elementos responsáveis pela coloração verde característica. Essa combinação ocorre, em geral, em veios de xisto ou pegmatito, ambientes ideais para a cristalização das pedras preciosas.


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