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Transporte Público

Prefeitura rompe contratos com Transwolff e UPBus por envolvimento com o PCC

Com a caducidade dos contratos, novas empresas poderão ser contratadas para operar as linhas de transporte público afetadas

Companhias atendiam diariamente mais de 600 mil passageiros - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Paulo Pinto
Companhias atendiam diariamente mais de 600 mil passageiros - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Paulo Pinto

William Oliveira Publicado em 20/02/2025, às 11h18


A Prefeitura de São Paulo formalizou, na última quarta-feira (19), a rejeição ao último recurso interposto pelas empresas Transwolff e UPBus, referentes ao processo administrativo que visa encerrar os contratos de transporte público na capital. Com essa decisão, a ruptura dos vínculos contratuais é agora uma realidade.

As duas companhias, que atendiam diariamente mais de 600 mil passageiros nas regiões Sul e Leste da cidade, estão sob investigação por supostos laços com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, finalizou a fase necessária para declarar a caducidade dos contratos, permitindo que novas empresas sejam contratadas para operar as linhas afetadas. A Transwolff gerenciava 142 linhas na Zona Sul com uma frota de 1.146 veículos, transportando cerca de 583 mil passageiros diariamente. A UPBus, por sua vez, operava 13 linhas com 158 ônibus e atendia aproximadamente 73 mil usuários na Zona Leste.

Essas linhas já estavam sob intervenção municipal devido a alegações de descumprimento das obrigações contratuais. Em dezembro de 2024, a administração pública iniciou os trâmites para romper os contratos, e, em janeiro deste ano, suspendeu as operações das duas empresas.

Um relatório de auditoria realizado pela prefeitura indicou que a Transwolff não possuía mais condições financeiras para manter suas atividades. No caso da UPBus, o envolvimento de sócios acusados de fortes conexões com o PCC foi o principal fator que motivou a ação municipal.

A Secretaria Municipal de Transporte ainda não divulgou como será realizado o processo para selecionar novas empresas que assumirão as 155 linhas anteriormente operadas pela Transwolff e UPBus. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) deverá publicar em breve uma portaria e abrir um edital para licitação, permitindo que novos interessados se apresentem para gerir essas rotas.

Quando o processo foi instaurado, a Transwolff manifestou sua insatisfação com a decisão da prefeitura, classificando-a como "arbitrária" e em desacordo com os princípios do Direito. A UPBus, até o momento, não fez comentários sobre o assunto.

Investigação em andamento

Em abril do ano anterior, uma operação conjunta envolvendo o Ministério Público, Polícia Militar, Receita Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) resultou na prisão de dirigentes das duas empresas, sob suspeita de envolvimento com o PCC. Desde então, as investigações revelaram diversas inconformidades, tanto financeiras quanto operacionais.

Durante quase cinco anos, promotores coletaram evidências sugerindo que essas empresas estavam sendo utilizadas pela facção criminosa para lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas e outros crimes relacionados.

As preocupações sobre a infiltração do crime organizado no transporte público da capital paulista remontam à década de 1990, quando parte desse sistema era gerido por perueiros clandestinos que realizavam trajetos entre áreas periféricas e terminais de ônibus.


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