Luan Felipe Alves Pereira é apontado como responsável por lançar um homem de uma ponte durante uma operação policial ocorrida na madrugada de segunda-feira (2)

William Oliveira Publicado em 05/12/2024, às 12h25
Na manhã desta quinta-feira (5), o soldado de primeira classe da Polícia Militar, Luan Felipe Alves Pereira, foi detido em cumprimento a uma ordem judicial expedida pela Justiça Militar. O militar é apontado como responsável por lançar um homem de uma ponte durante uma operação policial ocorrida na madrugada desta segunda-feira (2). Após a decisão, ele será encaminhado ao Presídio Romão Gomes.
A detenção de Luan Felipe segue um pedido formulado pela Corregedoria da Polícia Militar, que solicitou a prisão na quarta-feira (4). Além do soldado, pelo menos outros 12 policiais estão sob investigação em decorrência do incidente.
Durante a ação, os agentes utilizavam câmeras corporais, dispositivos cruciais para as investigações, que ajudaram a elucidar a sequência dos eventos. Luan Felipe foi ouvido pelas autoridades na terça-feira (3).
Em relatório interno apresentado pela Polícia Militar sobre o ocorrido, houve omissão de informações cruciais, como o fato de um indivíduo ter sido jogado de uma ponte.
Os policiais relataram que estavam perseguindo suspeitos em motocicletas e chegaram a um baile funk que se dispersou com a chegada das viaturas. Durante essa operação, um homem teria sido ferido por disparo de arma de fogo. Segundo os PMs, ao tentarem registrar a ocorrência no 26º Distrito Policial (Sacomã), foram informados de que o registro não seria necessário. No entanto, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que tal ocorrência não foi formalizada junto à Polícia Civil e que a origem do tiro ainda permanece sem esclarecimento.
Somente após o comando do 3º Batalhão da Polícia Militar tomar conhecimento de um vídeo gravado por celular — mostrando um soldado da Ronda com Motocicletas (Rocam) lançando o homem da ponte — o caso foi formalmente registrado e um inquérito foi aberto pela corporação.
O caso também gerou uma investigação paralela conduzida pela Polícia Civil através da Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) da 2ª Seccional.
Conforme revelado pelo portal Metrópoles, os policiais envolvidos na ação compartilharam detalhes do ocorrido com advogados em reunião breve realizada em frente à Corregedoria da PM em São Paulo. Parte desta conversa foi capturada em vídeo pela equipe de reportagem. Nas imagens, é possível observar quatro policiais — cujas identidades não foram reveladas — dialogando com três advogados na calçada. Um dos agentes detalha como a perseguição resultou no arremesso do rapaz da ponte por um colega.
A vítima, identificada como Marcelo Barbosa Amaral, de 25 anos, sobreviveu ao episódio violento e deixou o local caminhando, embora ferido. Segundo familiares e amigos, Marcelo se ausentou da cidade temendo represálias. Desde então, sua rua em Americanópolis, na zona sul da capital paulista, tem sido frequentada por indivíduos armados que se apresentam como policiais para os vizinhos.
Até o momento, Marcelo não prestou depoimento formal sobre o ocorrido.
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