Operação Fallax aponta esquema de lavagem de dinheiro com uso de “laranjas”, fraudes bancárias e infiltração no sistema financeiro; principal alvo segue foragido

Ana Beatriz Publicado em 26/03/2026, às 00h05
A Polícia Federal deflagrou a Operação Fallax, desmantelando um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, que utilizava cerca de 100 empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos, com a participação de gerentes bancários. O principal alvo, Thiago Branco de Azevedo, conhecido como 'Ralado', é considerado foragido e suspeita-se que esteja no Rio de Janeiro.
As investigações revelaram que o grupo operava com empresas fictícias registradas em nome de terceiros, obtendo empréstimos fraudulentos e movimentando dinheiro do tráfico de drogas através de contas empresariais. O esquema estava vinculado ao Bando do Magrelo, mas foi assumido pelo Comando Vermelho após a prisão de seu líder.
A operação resultou na prisão de gerentes bancários que facilitaram as operações ilegais, recebendo propinas para aprovar transações suspeitas. As autoridades agora buscam localizar 'Ralado' e aprofundar a análise das movimentações financeiras para identificar conexões com outras organizações criminosas.
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Fallax e revelou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, que utilizava uma rede de aproximadamente 100 empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos. As investigações indicam que o sistema contava com o apoio de gerentes bancários e era operado por um núcleo criminoso com atuação no interior de São Paulo.
O principal alvo da operação é Thiago Branco de Azevedo, conhecido como “Ralado”, apontado como responsável por coordenar a estrutura financeira do grupo. Ele não foi localizado durante o cumprimento dos mandados e é considerado foragido. A suspeita das autoridades é de que esteja escondido no Rio de Janeiro.
Segundo as apurações, o esquema envolvia a criação de empresas fictícias registradas em nome de terceiros, muitas vezes sem conhecimento dos próprios titulares. Com esses dados, o grupo obtinha empréstimos bancários fraudulentos, que não eram pagos, além de utilizar as contas das empresas para circular dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Como funcionava o esquema
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, que identificou a atuação de Ralado ainda em 2024, o grupo utilizava uma estrutura sofisticada para dar aparência de legalidade às operações financeiras.
Entre os principais mecanismos identificados estão:
A rede de empresas funcionava como uma engrenagem financeira, permitindo que recursos de origem criminosa fossem inseridos no sistema formal.
Ligação com facções criminosas
As investigações apontam que o esquema inicialmente estava vinculado ao chamado Bando do Magrelo, grupo criminoso que atuava na região de Rio Claro, interior paulista, e disputava território com o Primeiro Comando da Capital.
Com o avanço das operações policiais e a prisão do líder da gangue, Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como Magrelo, o Comando Vermelho teria assumido o controle da estrutura criminosa na região, ampliando a atuação do grupo e fortalecendo sua presença fora do Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, a facção carioca passou a fornecer apoio logístico e armamentos, consolidando a integração entre as organizações e ampliando o alcance das atividades ilícitas.
Participação de gerentes bancários
Um dos pontos mais sensíveis da investigação é a identificação da participação de profissionais do sistema financeiro no esquema. De acordo com a Polícia Federal, gerentes bancários teriam sido cooptados para facilitar as operações ilegais.
As apurações indicam que esses funcionários recebiam propina de até R$ 30 mil para viabilizar movimentações suspeitas, aprovar operações financeiras irregulares ou ignorar inconsistências nos cadastros das empresas.
Durante a operação, alguns desses gerentes foram presos, o que reforça a tese de infiltração do crime organizado no sistema financeiro.
Operação Fallax e próximos passos
A Operação Fallax foi realizada em conjunto com o Ministério Público e contou com o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes cidades. O objetivo é desarticular a rede criminosa, identificar todos os envolvidos e rastrear os valores movimentados pelo esquema.
As autoridades agora trabalham para localizar o principal articulador da rede, Thiago “Ralado”, considerado peça-chave para o avanço das investigações.
Além disso, a PF busca aprofundar a análise das movimentações financeiras para identificar possíveis conexões com outras organizações criminosas e ampliar o alcance da operação.
Impacto do caso
O caso chama atenção pela complexidade do esquema e pelo nível de organização da estrutura criminosa, que conseguiu integrar atividades ilegais ao sistema financeiro formal.
Especialistas apontam que a participação de agentes bancários representa um agravante, pois facilita a lavagem de dinheiro em larga escala e dificulta a detecção das operações.
A investigação também reforça o avanço de facções criminosas para além de suas áreas tradicionais, ampliando a atuação em diferentes estados e setores da economia.
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