Diário de São Paulo
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PF prende último foragido de quadrilha que usou brasileiras como “mulas” sem saber

Prisão ocorreu em condomínio de luxo em Guarulhos; organização trocava etiquetas de malas com cocaína no aeroporto

Kátyna e Jeanne, detidas na Alemanha, relatam as dificuldades enfrentadas após serem vítimas de um crime organizado. - Imagem: Reprodução | TV Globo
Kátyna e Jeanne, detidas na Alemanha, relatam as dificuldades enfrentadas após serem vítimas de um crime organizado. - Imagem: Reprodução | TV Globo

por Marina Milani

Publicado em 22/07/2025, às 08h58


A Polícia Federal (PF) realizou a prisão de um dos líderes de uma organização criminosa envolvida no tráfico de drogas, que operava no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A ação, ocorrida na terça-feira (22), foi uma continuidade das investigações iniciadas após a detenção equivocada de duas brasileiras na Alemanha, que foram alvo de um esquema de troca de etiquetas de bagagens.

Em 2023, a quadrilha substituiu as etiquetas das malas das vítimas por aquelas que pertenciam a bagagens contendo 40 kg de cocaína. As goianas, Kátyna e Jeanne, passaram mais de um mês detidas na Alemanha antes que sua inocência fosse comprovada.

A operação batizada de "Last Call" (Última Chamada) focou na captura do último membro ainda foragido da organização criminosa, que foi encontrado em um condomínio de luxo em Guarulhos. Durante a abordagem, os agentes federais localizaram uma significativa quantia em dinheiro em espécie.

Na ocasião da prisão das brasileiras, a PF havia desencadeado a "Operação Colateral", que visava desmantelar o grupo criminoso responsável pelo esquema. Desde então, ao menos seis membros da quadrilha já foram condenados pela Justiça paulista, com penas variando entre 7 e 39 anos.

As condenações refletem a gravidade das ações do grupo, cujos principais líderes foram sentenciados a 39 e 26 anos de prisão respectivamente. As investigações revelaram que eles eram responsáveis pela aquisição da droga destinada à Europa, além de recrutar novos membros e facilitar a comunicação dentro do aeroporto por meio da distribuição de celulares.

Os demais integrantes condenados exercem funções administrativas e logísticas no transporte das drogas, coordenando desde o recebimento até o embarque das substâncias ilegais. As penas para esses réus variam entre 7 e 16 anos.

O inquérito também indicou que alguns dos envolvidos eram funcionários de empresas terceirizadas que atuavam no terminal aéreo e estavam encarregados de aliciar colegas para realizar tarefas como o recebimento das bagagens com cocaína em áreas restritas e efetuar as trocas das etiquetas.

A partir da investigação relacionada ao caso das brasileiras injustamente presas na Alemanha, a PF descobriu outras operações semelhantes realizadas pelo grupo. Em pelo menos duas ocasiões anteriores, foram enviados 86 kg de cocaína para os aeroportos de Lisboa e Paris entre outubro de 2022 e março de 2023. Assim como aconteceu em Frankfurt, essas drogas também foram apreendidas pelas autoridades locais ao chegarem à Europa.

Em uma entrevista exclusiva, Kátyna e Jeanne relataram as dificuldades enfrentadas durante sua estadia na prisão alemã após serem detidas por tráfico internacional.

O episódio trágico das brasileiras começou com uma viagem planejada para celebrar novas conquistas profissionais. Ao despacharem suas malas no Aeroporto Santa Genoveva em Goiânia, elas não imaginavam que seriam vítimas de um esquema criminoso. No trecho final da viagem, em Frankfurt, as bagagens etiquetadas com seus nomes continham cocaína. A polícia alemã as prendeu antes mesmo que pudessem se dar conta do ocorrido.

A PF confirmou a inocência das brasileiras através da análise de imagens das câmeras de segurança, que mostraram a troca das malas realizada por duas mulheres desconhecidas pouco tempo antes do embarque. De acordo com as normas internacionais de transporte aéreo, elas não tinham como visualizar essa troca ao despachar suas bagagens no Brasil.

As investigações continuam enquanto as autoridades buscam desmantelar completamente a rede criminosa operante no aeroporto.


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