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CORRUPÇÃO

Na mira: descubra tudo sobre esquema que levou Sidney Oliveira à prisão

A operação, batizada de Ícaro, resultou na prisão de Sidney Oliveira e outros envolvidos em um esquema que movimentou mais de R$ 1 bilhão em propinas

Esquema fraudulento facilitava o ressarcimento irregular de créditos tributários - Imagem: Divulgação / Ultrafarma
Esquema fraudulento facilitava o ressarcimento irregular de créditos tributários - Imagem: Divulgação / Ultrafarma

William Oliveira Publicado em 13/08/2025, às 08h42


Na manhã desta terça-feira (12), a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de prisão e busca em uma operação que mirou um esquema de corrupção envolvendo o fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira. A ação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), desarticulou uma rede que facilitava o ressarcimento irregular de créditos tributários, com participação de auditores fiscais e representantes de grandes empresas varejistas.

Segundo as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 1 bilhão em propinas. Além de Oliveira, outras cinco pessoas foram presas, incluindo auditores fiscais e executivos do setor privado.

A operação apreendeu:

  • R$ 330 mil em espécie;
  • US$ 10 mil;
  • 600 euros;
  • Pacotes com esmeraldas e joias;
  • Equipamentos eletrônicos para perícia.

Batizada de Operação Ícaro, a investigação apontou como figura central o auditor fiscal estadual Artur Gomes da Silva Neto, responsável por fraudar processos de ressarcimento de créditos tributários, especialmente do ICMS, beneficiando empresas como a Ultrafarma e a Fast Shop.

O ressarcimento é um direito de quem paga impostos a mais, mas o trâmite é complexo. Segundo o MP, Artur produzia e acelerava documentos sem revisão interna adequada. Em troca, recebia altas propinas, pagas por meio de empresas intermediárias e até de uma empresa fantasma registrada no nome de sua mãe.

Principais alvos da operação:

  1. Sidney Oliveira — Fundador da Ultrafarma;
  2. Artur Gomes da Silva Neto — Auditor fiscal e articulador do esquema;
  3. Marcelo de Almeida Gouveia — Auditor fiscal;
  4. Mário Otávio Gomes — Diretor da Fast Shop;
  5. Celso Éder Gonzaga de Araújo — Proprietário do imóvel onde bens ilícitos foram encontrados;
  6. Tatiane da Conceição Lopes — Esposa de Celso.

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca em residências e sedes das empresas investigadas.

Descoberta do esquema

O caso começou quando o MP identificou evolução patrimonial incompatível da empresa Smart Tax, registrada no nome da mãe do auditor. A empresa, sem atividade ou clientes, passou a receber grandes pagamentos da Fast Shop em 2021. A partir daí, documentos e interceptações telefônicas confirmaram as irregularidades.

Os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Dinheiro apreendido em operação
Dinheiro apreendido em operação - Imagem: Reprodução / TV Globo

O MP ressaltou que Artur oferecia uma “assessoria tributária criminosa”, orientando empresas sobre quais documentos apresentar para agilizar processos fraudulentos. A mãe de Artur, Kimio Mizukami da Silva, também teve seu patrimônio analisado, com aumento expressivo nos últimos anos, levantando suspeita de participação ou uso como laranja.

Declarações

Sidney Oliveira afirmou já ter firmado um Acordo de Não Persecução Penal com o MP, reconhecendo irregularidades tributárias em fase de regularização. Seu advogado avalia os fundamentos da prisão. A Fast Shop declarou estar colaborando com as investigações.

A Secretaria da Fazenda do Estado informou que abriu processo administrativo para apurar a conduta dos servidores envolvidos e reafirmou seu compromisso com a ética e a cooperação com as autoridades.


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