O Ministério Público de São Paulo solicita à Justiça a manutenção da prisão de Fábio Seoane Soalheiro, acusado de feminicídio contra Bruna Martello Carvalho

William Oliveira Publicado em 19/08/2025, às 09h26
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou à Justiça a manutenção da prisão do empresário Fábio Seoane Soalheiro, de 59 anos, acusado de feminicídio contra sua companheira, Bruna Martello Carvalho, de 35 anos. A reavaliação ocorreu após novas evidências que contradizem os primeiros laudos do Instituto Médico Legal (IML). A informação foi confirmada pelo g1.
Bruna foi encontrada morta no apartamento do casal, em Barueri, na Grande São Paulo. Exames complementares apontaram lesões compatíveis com asfixia por compressão torácica, reforçando a suspeita de homicídio.
Inicialmente, o promotor Vitor Petri havia defendido a libertação do acusado, já que os laudos não eram conclusivos. Porém, um parecer técnico contratado pela família da vítima trouxe novos elementos, levando o MP a formalizar a denúncia de feminicídio.
"Posteriormente ao meu pedido de revogação da prisão cautelar por não haver indícios da causa da morte da vítima, os genitores da vítima juntaram laudo pericial no qual o perito criminal contratado, Enrico Ferreira Martins de Andrade, aponta que o laudo do IML 'provoca uma falsa conclusão' e que o conjunto de sinais é compatível com 'asfixia por compressão torácica de origem externa”', afirmou Vitor Petri.
Fábio foi preso em flagrante no dia 3 de agosto. Ele alegou que a companheira teria sofrido uma convulsão e batido a cabeça, mas investigações encontraram indícios de agressão, hematomas e manchas de sangue no apartamento. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) afirmou que havia sinais claros de violência na cena.
A defesa, representada pelo advogado Rodolfo Warmeling, nega a intenção criminosa e pede respeito ao devido processo legal. Já a advogada Cecília Mello, que atua pela família de Bruna, comemorou a decisão do MP como essencial para que a verdade seja alcançada.
O histórico de Fábio também pesa contra ele: o empresário já havia descumprido medida protetiva em Santa Catarina e possuía um mandado de prisão por não pagamento de pensão alimentícia. Vizinhos relataram ainda ouvir gritos e choros vindos do apartamento nos dias que antecederam a morte, reforçando o cenário de violência doméstica.
O inquérito segue em andamento, e a Justiça decidirá se aceita a denúncia e mantém a prisão preventiva.
O que diz a defesa?
"A defesa técnica de Fábio Seoane Soalheiro, de 59 anos, por meio do advogado Dr. Rodolfo Warmeling vem a público esclarecer que o caso está sob investigação e que nenhum julgamento prévio pode ser admitido antes da devida apuração dos fatos.
O acusado nega veementemente qualquer intenção dolosa, colaborou com as autoridades desde o primeiro momento e confia que, ao final da instrução criminal, a verdade será restabelecida.
É fundamental destacar que o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório deve ser preservado, especialmente diante da repercussão do caso e da forma como ele vem sendo retratado por alguns veículos.
Reiteramos o nosso compromisso com a Justiça e pedimos respeito ao trâmite legal, à memória da vítima e ao devido processo".
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